quarta-feira, maio 09, 2012

Fakebook



Sensivelmente em 2008, um amigo meu falou-me acerca de um jogo on line onde se plantavam batatas! Numa altura em que se comandavam exércitos ou impérios intergaláticos o conceito da lavoura afigurava-se engraçado pois era algo diferente e podia competir-se com os vários amigos que também fizessem parte do jogo. Tendo eu já passado uns tempos de quarentena a curar-me do Ogame, pareceu-me que não fazia mal inscrever-me nessa coisa de Facebook.

2008 era ainda a idade da inocência cibernética, a altura em que me aventurava por esses IP´s fora armado apenas de um antivírus e uma firewall confiante que isso apenas bastava. Para ser franco, para nos livrarmos de vírus e hackers mal intencionados esses programas continuam a ser suficientes, isso e um utilizador minimamente inteligente frente ao monitor. Com eles posso eu bem, o problema é outro….

Certamente que quem se preocupa minimamente com segurança online e não se limita a ver os jornais das 8 na tv, já deve ter ouvido falar de nomes como SOPA, PIPA ou ACTA. Para quem não ouviu eu sugiro vivamente que faça uma pesquisa pela net para saber mais sobre esses projectos. Mas em resumo, o governo americano decidiu que era necessário fazer um projecto de lei que tornasse possível vasculhar o rasto online deixado por cada utilizador de modo a: 

(ler com voz solene) 

"To promote prosperity, creativity, entrepreneurship, and innovation by combating the theft of U.S. property, and for other purposes.",  ou ainda “Preventing Real Online Threats to Economic Creativity and Theft of Intellectual Property”.

 Frases pomposas para dar poderes quase ilimitados ao governo para poder espiar tudo o quiser sobre a nossa vida privada sempre com a desculpa da pirataria* e claro do papão habitual do terrorismo.
O que o histórico tem mostrado é que ambos os projectos foram rejeitados, algures no processo legislativo americano, mas apenas para aparecer um novo projecto poucas semana depois, a ACTA, que foi ratificado por alguns países, e depois após mais críticas apareceu mais outro para substituir os rejeitados SOPA e PIPA, de nome CISPA (quem é que se lembra destes nomes). 

O que já se conseguiu perceber é que sempre que um projecto é derrubado no congresso, logo outro aparece e por sinal consegue sempre ser pior que o anterior, é obvio que o governo americano quer limitar as liberdades individuais na internet e as razões não são o terrorismo ou a pirataria, mas sim um controlo Orwelliano sobre todos os usuários da internet, catalogar as suas preferências, crenças e hábitos, separa-los por classes politicas, dividir entre apoiantes e não apoiantes, em bons (os que estão a seu favor) e os que não estão. Mas para lá da legislação, porque não deitar as mãos aos seus amigalhaços Google e Facebook?

Algures na descrição das regras de aceitação do Facebook está escrito que ao entrar no site o usuário aceita que o Face use todos os seus dados como entender enquanto a conta estiver activa. Pois, ok, e apagar a conta? Não é nada fácil, o link está tão escondido que demorei longos minutos a descobrir e precisei de ajuda da net! No entanto convém aqui recordar a história de Max Schrems, um austríaco que apagou a sua conta e depois pediu os seus dados à empresa. Para seu espanto a Facebook  enviou-lhe um ficheiro com 1200 páginas com tudo, literalmente tudo, o que ele havia feito enquanto logado, mesmo mensagens que já tinha apagado. Assustador para dizer o mínimo. Estamos a falar de um simples advogado e não de um terrorista ou criminoso perigoso. Para que quer o Facebook esses dados?

Pensemos agora nas dezenas de amigos que tem no Facebook, quantos iam vê-lo ao hospital se estivesse internado? Quantos lhe ofereciam uma sopa? Quantos lhe continuariam a falar se fosse preso? 

Decidi pois, terminar a minha conta do facebook, e não faz falta nenhuma mesmo, longe vão os tempos das plantações secas e das beringelas, que com aquele aspecto, com certeza deviam ser transgénicas.

Deixo-vos um vídeo muito interessante pelo conteúdo que concordo em absoluto e pela nota artística.


Links para saber mais


* Vem a propósito da pirataria a noticia que o filme avengers bateu o recorde de filme mais lucrativo na primeira semana. Maldita pirataria que arruína os lucros das produtoras. link

sábado, maio 05, 2012

Temos treinador


Sá pinto não foi o melhor jogador do Sporting, mesmo se considerarmos apenas as ultimas duas décadas houve sempre alguém melhor que ele seja qual for o parâmetro escolhido, se juntarmos a isso um feitio difícil marcado por episódios de agressões a jogadores e treinadores e conflitos diversos torna-se mais fácil colocá-lo na galeria dos mal amados do que na dos ídolos. 

Apesar de tudo isto a massa associativa está longe de desgostar de Sá pinto e para isso muito contribui o seu espírito guerreiro e abnegação quando o nome Sporting está em jogo, nunca as expressões comer a relva ou morrer em campo encaixaram tão bem em algum jogador como em Sá pinto. Por essas razões eu gostava do Sá pinto como jogador e pelo que representava do espírito de Sportinguista. 

Como jogador….

Quando Domingos Paciência foi demitido foi uma sensação de deja vu, ser treinador da equipa sénior do Sporting é uma profissão de risco e de desgaste rápido, muito rápido! Diga-se que eu nunca gostei muito do Domingos, pois este passava a vida a marcar golos ao Sporting enquanto era jogador, no entanto vestido de fatinho e no banco do Sporting acabou por expiar as maldades do passado, com um estilo nada arrogante, o que é de estranhar face à sua escola, lá foi fazendo bons resultados, até chegar ao inevitável.

Fiquei chateado por vê-lo partir e ainda mais preocupado com a escolha do substituto. Que poderia mais fazer Sá Pinto senão dar moral à equipa? Certamente não seria melhorar a táctica? E como iria resultar o seu espírito explosivo com pavio curto naquele banco a ver os árbitros a roubar como de costume? Eu fiz apostas com várias pessoas em como ele seria expulso do banco até ao fim do campeonato, pelo menos uma vez…

Pois bem, quem aposta são os bêbados, e Sá pinto está a sair-se muito bem, a equipa recuperou, não perdeu mais em casa, é a segunda melhor defesa do campeonato, chegou às meias-finais da taça EUFA, e sobretudo joga com muito mais alegria e qualidade. Mas o que mais me surpreende é a sua postura como treinador, calmo, estranhamente calmo, a falar pausadamente e sem quaisquer críticas à arbitragem. Não sei se quando chega a casa não descarrega tudo nos móveis, mas isso também seria lá com ele…

Sá pinto treinador é um perfeito exemplo da pessoa que se eleva à altura do cargo que desempenha, muitas vezes somos levados a pensar que este ou aquele trabalhador não pode ser promovido pois não estaria à altura do cargo, pois bem, não desprezemos o poder que um fato pode desempenhar no sucesso de um indivíduo, e não estou a pensar no fato smoking mas no fato cargo a desempenhar, uma promoção, uma condecoração, um elogio pode motivar muito o individuo no trabalho a desempenhar e por vezes a transcender-se. Sá pinto, soube vestir o fato de treinador e elevar-se à altura do mesmo e por isso merece os meus sinceros parabéns. 

Todos nós sabemos como esta história vai acabar, os resultados vão, eventualmente, piorar e ele vai acabar despedido, mas o que fez, ninguém lhe pode tirar.

sábado, março 17, 2012

Crenças




Palavras e expressões como: diabólico, vai para o diabo ou isto é uma cena do demo, pululam o nosso dia-a-dia, fazem parte do nosso vocabulário de expressões idiomáticas e frases feitas, mas já alguma vez parou para pensar se acredita no diabo?

Convém dizer que eu acredito na sua existência. Porquê? Porque sendo eu crente em Deus, considerando-me cristão, sei que Ele é bom e jamais faria existir tanto mal neste planeta, pelo que todo mal que sofremos só poderá ser fruto de outra força mal intencionada, que luta constantemente para nos afastar de Deus. O que tenho visto ultimamente não me deixa muitas dúvidas….

Perante isto, decidi perguntar às pessoas à minha volta se acreditavam ou não no diabo? As respostas foram surpreendentes pois apenas uma pessoa o afirmou positivamente, todos os outros achavam que não, isso do diabo não existe e é só para assustar as criancinhas. Lembrei-me de uma frase lida algures, já não sei bem onde que dizia “o maior feito do diabo é ter conseguido fazer as pessoas acreditar que ele não existe”. Faz sentido, se nós soubéssemos da sua existência evitaríamos certos comportamentos que lhe são favoráveis.
Entenda-se que quando falo no diabo não estou necessariamente a pensar naquela alegoria do bode vermelho com chifres e um tridente com aspecto de demónio. De facto se essa criatura aparecesse na terra seria facilmente repudiada por quase toda a gente. E para que o diabo seja aceite é mais provável que apareça de fatinho de domingo com um sorriso de orelha a orelha…

Aliviando um pouco o post, decidi criar aqui uma sondagem no blog para que toda a gente possa dizer de sua justiça, ela ficará activa por muitos anos, ou até a rainha de Inglaterra abdicar (que é capaz de ir dar ao mesmo) J (de lado por baixo dos links)

Apesar das suas crenças relativas ao diabo, o mais importante de tudo, a única coisa que realmente importa, é acreditar em Deus e em Jesus Cristo e seguir o seu caminho, praticando sempre o bem. Lembre-se perante o mal, o bem é a única resposta possível.


Por Joana Faneca...

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Verniz







Com certeza já todos ouviram falar do cavalo de Tróia, a expressão tem a sua origem na conquista da cidade de Tróia, segundo a lenda, os gregos construíram um enorme cavalo que ofereceram aos troianos, estes pensando ser um presente dos deuses trouxeram-no para dentro das muralhas da cidade, o problema é que dentro do cavalo estava uma pequena porção do exército grego, que dentro das muralhas de Tróia, conseguiram abrir as portas da cidade ao restante exército, que assim conquistou Tróia acabando com um longo cerco.


O rei dos gregos há altura era Agamémnon que quando regressou a Atenas entrou no seu palácio caminhando sobre uma passadeira vermelha, já dentro do palácio encontrou a morte às mãos da sua mulher e do seu amante. Desde então a passadeira vermelha passou a ser o símbolo da arrogância dos vencedores.

Domingo passado foi transmitida a 82 edição dos Óscares, confesso que nos dias de hoje já não tenho a mínima paciência para aturar a entrega dos Óscares e tudo o que ela significa, longe vai o meu tempo de faculdade em que na ausência de televisão ficava pregado a noite toda a ouvir a TSF que transmitia a cerimónia via rádio! Que perda de tempo!

Os vencedores são escolhidos não pela sua qualidade mas por jogos de bastidores “não te vou dar Óscar porque falas sobre assuntos polémicos”,” mas este leva Óscar porque fala de veteranos de guerra e isso é bom para o moral”, “e tu… até merecias mas este ano não levas nada porque já te demos o ano passado” , e que tal decidir que o Porto não pode ser campeão porque já foi o ano passado!! É como organizar uma corrida, escolher que vai participar e já ter de antemão a lista com a posição em que cada concorrente vai ficar… não contem comigo para isso.

Hoje o verniz da indústria cinematográfica e do entretenimento caiu por completo. É uma indústria corrupta e cujos objectivos não são necessariamente o entretenimento; e diga-se de passagem, quem é que quer ser entretido quando o mundo está como está? Naturalmente que continuo a ver filmes, mas já não os vejo com a minha inocência de antigamente, hoje divirto-me a tentar encontrar a palavra sex, subliminarmente colocada entre imagens, tento ler o que estiver escrito no fundo dos cenários longe do olhar distraído do espectador, atento à introdução de logos de marcas que acontecem por “”engano””.

Ao ver a entrada daqueles artistas a passearem-se na passadeira vermelha os seus vestidos alugados, os seus falsos sorrisos, não consigo deixar de pensar naquela falsidade toda e no que Annie Lenox uma vez escreveu, alguns gostam de usar, outros gostam de ser usados”…

Então Meryl Streep ganhou mais um Óscar, foi? Bom para ela…

 

Por: Anatólio Urso, um simples habitante de Svalbard

Arte


O nosso cavaco continua a animar a malta com a sua falta de tacto. Há poucos dias deveria visitar uma escola Secundária, a escola secundária António Arroio. Digo deveria pois a meio caminho deu meia volta e seguiu para local desconhecido. Mais tarde, a sua casa da presidência divulgou que um compromisso de última hora o obrigou a alterar os planos. Foi uma pena, na escola estava junta uma pequena multidão de estudantes que esperava o presidente para lhe fazer chegar ao ouvido as suas preocupações, nomeadamente, não terem cantina e serem obrigados a comer no chão. Pensavam eles que sendo o presidente o provedor do povo, este os ouviria de bom grado. Mas não, avisado do que se passava na escola o Sr. provedor fez meia volta e nunca mais foi visto.

Mas isto são apenas notícias, o mais interessante nesta história é que já no passado o antigo primeiro-ministro José Sócrates teve problemas com manifestações na escola artística António Arroio, o que me fez pensar na importância da Arte no desenvolvimento crítico e da personalidade do Homem, o facto de estes problemas acontecerem nesta escola não é por acaso.

sábado, fevereiro 18, 2012

Porque o fim...*

Imaginem por uns instantes que o País onde vivem decidia, por decreto alterar o regime político vigente de democrata para uma ditadura. Que fariam se de um momento para o outro fosse legal os funcionários do estado entrarem nas vossas casas para vasculhar as suas posses, conhecer os seus hábitos e devassar a vossa vida privada? Bem, certamente muitas formas de luta seriam válidas uma das quais abandonar esse País.

Felizmente o nosso País não está assim, ainda, mas para lá caminhamos, e as empresas privadas aproveitam o balanço e também vão esticando as garras. Recentemente a Google anunciou que iria mudar as suas políticas de privacidade. Esta mudança pretende agregar debaixo de uma única política de privacidade todos os serviços que a Google oferece permitindo uma maior integração entre os mesmos

Dizem os senhores que dessa forma obteríamos uma melhor experiência de utilização. Na prática isto implica juntar todos os serviços Google desde o gmail ao Google plus ao youtube o blogger etc… sobre uma única conta/usuário. E aqui começam os problemas, pois se por um lado a Google elimina muita burocracia, também lhes permite fazer um mapa do usuário, saber que a pessoa X que tem conta gmail vê determinados vídeos no youtube e escreve cenas maradas no blog e por ai fora.

Naturalmente isto não me agrada nada pois não só gosto desta forma de actuar, como ninguém acredita que a Google faça isto só para simplificar, estão envolvidos alguns milhões em futuros lucros com publicidade, e claro, um maior controlo dos cidadãos.

Perante isto, e com alguma pena minha decidi trasladar o blog para outras paragens, tentei fazer um mirror do blog no wordpress mas a coisa não correu bem e apenas os títulos passaram, nada de conteúdo ou fotos, e passar à mão 240 artigos era uma tarefa gigante pelo que optei por um plano B.

Tomei então, a decisão de deixar de escrever aqui e dar o blog a outra pessoa, que se encarregue dele e seja capaz de o levar a bom porto mantendo o perfil actual.

Este é, pois, o meu ultimo post aqui no blogger, chuinf chuinf…. Tenho outro projecto em mãos que vou tentar fazer, mas que ainda carece de mais trabalho, quando estiver aceitável logo será comunicado aqui.

Entretanto os post continuarão a ser escritos com a habitual falta de regularidade, mas agora da autoria de um novo autor, a okenite desidratada, uma pessoa da minha inteira confiança, que eu conheço bem, e que não me irá desiludir pois tirando as artes estamos em grande sintonia, vejam este novo autor como um Alberto Caeiro que terá apenas de se resguardar das correntes de ar para que tudo corra bem.



*Nunca é o fim….

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

A teoria da conspiração

A esmagadora maioria das vezes quando decido escrever sobre alguma coisa, faço o texto todo e só no fim vou à procura de uma foto que tenha alguma coisa a ver com aquilo que escrevi. Este post é diferente, pois quando vi esta fotografia não resisti em usá-la, não tem grande definição, mas até nisso ela é melhor que qualquer outra.

Quando pensamos em teoria da conspiração normalmente pensamos em nerds meio alucinados, que têm medo da sua própria sombra e que providos de uma imaginação sem limites, conjecturam todo os tipo de possibilidades umas mais rocambolescas que as outras.

Certamente que existirá muita gente assim, mas eu prefiro centrar-me naquelas pessoas que insatisfeitas com as respostas oficiais, com aquilo que é aceite como verdade, tentam encontrar respostas alternativas que forneçam uma melhor explicação para determinado assunto, e é tanto mais fácil que isto aconteça quanto mais frágeis foram as explicações e os argumentos. É pois inevitável, que perante uma história mal contada apareça logo alguém com uma explicação alternativa, que embora possa parecer fantasiosa convém não esquecer que a vida real é sempre mais imaginativa que a ficção.

Tomemos por exemplo o 11 de Setembro (o dos estados unidos, pois o que não falta por ai são 11s de Setembro…), aquilo que é mais aceite é que dois aviões embateram nas torres gémeas, a mando de Bin Laden, e as fizeram cair. (Depois do pó assentar) * e analisando os factos a frio, chegamos facilmente à conclusão que a história está mesmo muito mal contada, presa por arames a explicações frágeis e contraditórias, fornecendo assim, caminho fértil aos teóricos da conspiração.

O que é então a teoria da conspiração?
A teoria da conspiração é uma versão alternativa para a história aceite como real devido às fraquezas que esta apresenta.

O que cada um de nós precisa de ter em mente é que a história é escrita por quem a escreve, que normalmente são os vencedores, e que as possíveis coincidências com a realidade são meras coincidências. O que cada um de nós precisa de aceitar é que o mundo não é como nos contaram e por mais que custe não há nada como encarar a realidade, pois de outra forma corremos o risco de viver na m@trix, o que não é nada bom.



Ps* em sentido figurado

sábado, janeiro 28, 2012

Postas de pescada




6 anos a mandar postas de pescada... sim senhor....

Sugestão de confecção

Uma vez que a pescada é um peixe muito seco nós costumamos fazer da seguinte maneira:

Junta-se um pacote de natas a uma embalagem de sopa de cebola da knorr ou de outra marca que não do pingo doce, faz um molho e rega-se as postas/medalhões de pescada.
Leva-se ao forno a assar.

acompanha-se com qualquer coisa e fica muito bom...

Ps, não pense que lá porque está a comer peixe está a seguir uma dieta saudável, a dita sopa de cebola altamente artificial e ainda por cima com natas, vai fazer o seu colesterol subir à troposfera.

domingo, janeiro 08, 2012

Pingos




Os vertebrados (do latim vertebratus, com vértebras) constituem um subfilo de animais cordados, compreendendo os ágnatos, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Caracterizam-se pela presença de coluna vertebral segmentada e de crânio que lhes protege o cérebro[1]. (in wikipédia)


A Coluna vertebral, é uma das coisas que nos distingue, por exemplo, dos moluscos e de outros animais sem ossos, isto biologicamente falando pois também poderá ser entendida como uma metáfora para o facto de podermos andar erguidos, orgulhosos e honrados em oposição a sermos uma matéria esponjosa que se contorce conforme as marés.

E marés há muitas, muitas mais que marinheiros que nestes tempos difíceis serão postos à prova, nas suas habilidades náuticas, em levar o barco a porto seguro.

Ao que parece, o mar português anda bastante agitado, ao passo que o mar holandês oferece ondas mais suaves e ventos mais amenos. Parece ter sido essa razão que levou Soares dos Santos, esse grande patriota, a vender parte do seu património a uma empresa sua na Holanda. Foram 15% de razões para que Soares dos Santos agisse como agiu, 15% que vai poupar em impostos que são de apenas 10% nos países baixos. Foi um golpe muito baixo de uma pessoa que até há pouco tempo dava lições de patriotismo aos nossos políticos e por essa razão ainda lhe fica pior do que aos outros que lhe antecederam as pisadas.

Defendia-se no jornal expresso que “tinha o direito a defender o seu património”. Pois tem caríssimo, e cada um luta com as armas que tem, eu, como não posso pagar impostos noutro pais mais favorável, vou optar por retaliar optando por não fazer compras no pingo doce, pela minha parte deixou de pingar para os seus lados. Bom seria que toda a gente fizesse o mesmo, assim certamente iria arrepiar caminho, é que 15% de zero, é zero.

Infelizmente o que vai acontecer é isso mesmo, zero, o pingo doce pode fugir para onde quiser e fazer o que bem lhe apetecer e apenas por uma pequena e simples razão… porque pode… e pode porque nada lhe irá acontecer de negativo, é que as pessoas cada vez são menos vertebradas. Perante um acontecimento ignóbil todos se levantam em protesto para no minuto seguinte virarem as costas como se de nada se tratasse e tudo estivesse bem, como se uma onda repentina nos agitasse momentaneamente para depois seguirmos o nosso rumo… sem rumo…

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Férias itinerantes


Apercebi-me que este blog anda muito negro e depressivo, o mundo (ainda) não acabou, vamos pois concentrarmo-nos em coisas boas que vão ser necessárias daqui para a frente.

Aqui segue o tradicional post das férias que ficou na gaveta à espera do frio, só o post saberá porquê

A distancia é um conceito que tanto tem de objectivo como de subjectivo. De Tróia a Lagos, com passagem pelo Cabo de São Vicente são pouco mais de 300 km e 300km são 300km aqui e em qualquer lado do planeta, mas uma coisa é faze-los de carro, outra é fazer a pé ou de bicicleta.

E foi precisamente de bicicleta que nos propusemos a fazer toda a costa vicentina desde a península de Tróia até ao cabo de são Vicente, sempre em bicicleta e em ritmo de passeio para poder apreciar uma das mais belas paisagens de Portugal. O passeio seria feito em 5 dias e com carro e apoio. Podíamos fazer em menos tempo, 3 dias seria possível, mas implicava pedalar o dia inteiro e não dormir em parques de campismo pois o trabalho de montar as tendas é um martírio ao fim de uns dias, além de que uma cama confortável sabe sempre bem principalmente depois de um esforço físico.

Aqui deixo um relato mais ou menos resumido do que fizemos com algumas fotos e percursos que poderão servir a quem se quiser aventurar também

Dia 1

Partimos de Lisboa, já a pedalar até à estação de Roma areeiro onde apanhámos o comboio da fertagus para Setúbal. A fertagus deixa levar a bicicleta gratuitamente no comboio desde que não seja em hora de ponta, e como percebemos no regresso, apenas 2 bicicletas por carruagem (depende da boa disposição do revisor).

Chegamos a Setúbal e apanhamos o ferry para Tróia, aqui também não se paga mais pela bicicleta desde que seja depois das 10 da manhã. Convém chegar cedo no verão, mas há sempre a vantagem das bicicletas não terem de esperar na fila como os carros (que em Agosto custa bastante).

A Arrábida ao longe serviu de inspiração e assim que chegámos a terra firme atacámos a primeira etapa que terminaria na Galé, juntamente com um grupo de amigos que se juntaria a nós nesse dia (o trabalho impediu de fosse mais tempo).

O trajecto foi feito todo em estrada e praticamente plano sem problemas de maior. Há que ter muita atenção ao trânsito que pode ser muito intenso no verão por causa das praias, depois da comporta alivia. Um piquenique em frente da prisão de alta segurança de pinheiro da cruz e num instante chegamos à galé, saímos da estrada principal e fizemos 5km em estrada batida até ao parque de campismo. Quando delineei os trajectos tive oportunidade para ler que a estrada de terra batida era muito má, mas nada me preparou para aquilo! Foi a pior estrada de toda a viagem, foram 5 km mas custaram bastante em todo o corpinho….

O parque da galé foi uma boa surpresa, bem equipado, bonito e pertíssimo da praia, mais perto era impossível. A praia também é muito bonita, o único senão são os mosquitos, muitos e terríveis!

Dia 2

Saímos os 4 da galé com destino a porto covo. O pior desta etapa foram os km iniciais para sair do parque (outra sova) e o calor do final da etapa. Passamos por Melides, almoçamos em Sines onde ainda apanhámos a ressaca do festival músicas do mundo e chegámos a porto covo. Ficaríamos essa noite no parque de campismo de porto covo. Não foi fácil entrar, primeiro porque fomos atendidos pela ovelha choné, depois porque o parque estava praticamente cheio e não pudemos reservar com antecedência, lá conseguimos um buraco para pormos as duas tendas. O parque é bastante básico mas faz o serviço.

Porto covo é uma vilazinha pitoresca que sofre inflamações de verão, como que picada pelos mosquitos da galé, no inverno não se passa nada, mas no verão a população deve multiplicar-se por 100 e incha de gente. Foi este último cenário que encontrámos, montes de gente na rua, animações e musica, toda a gente animada. Vale pena visitar

Dia 3

Esta iria ser a etapa mais longa da viagem, como se nisso não bastasse, alguém, (eu) teve a ideia de se ir visitar a ilha do pessegueiro e fez-se um “pequeno desvio” de 10km. 10km não é muito, mas de bicicleta a coisa toma outra proporção e quando chegámos ao final o meu conta km marcava 67km. Apesar dos km, o trajecto não tinha dificuldades, uma ou outra subida mas nada de outro mundo. Almoço em Vila Nova de Mil fontes junto á praia, passagem em Almograve e cabo sardão, destino final parque de campismo do Zmar.

Foi nessa altura que nos amaldiçoamos por não termos trazido tendas instantâneas, depois de tantos km, montar a tenda era tudo o que não nos apetecia.

O Zmar é um parque de campismo com um conceito diferente, aconselho a visitar o site deles para mais informação e quem puder não hesite em lá ficar, leve a família e fique uns dias. É o parque de campismo com melhores condições onde já fiquei, tem uma piscina de ondas e outra exterior com mais de 100 metros (eu medi). É um pouco mais caro mas vale a pena. Como único senão a falta de árvores que lhe confere uma aridez algo inóspita. O chão tb é duro…

A partir desse dia teríamos mais 2 amigos a pedalar connosco, seriamos 6 a chegar ao Algarve.

Dia 4

Com o quarto dia chegaria aquela que supostamente seria a etapa mais difícil de todas, 650 metros de acumulado e mais de 50km com 2 subidas mais íngremes. Ao contrário dos outros dias optamos por não sair logo de manha para aproveitar mais o Zmar pois as piscinas souberam a pouco no dia anterior. Íamos sair com o calor mas chegaríamos ao fim, na arrifana, pelo fresquinho. Saímos do Zmar sobre um calor tórrido seguindo Alentejo abaixo. Na herdade da casa branca ultimavam-se os preparativos para o Sudoeste, mas a nossa música era outra. Paragem estratégica na Zambujeira do mar para reforçar o estômago e preparar-nos para as subidas e descidas que íamos ter ao longo da costa.

Chegados a Odeceixe tínhamos a primeira subida digna desse nome pela frente, optamos por subir pela vila dentro para evitar trânsito, mas para além de mais inclinado o piso em empedrado não facilita a ascensão. Vencida Odeceixe o caminho é bastante rolante até Aljezur. O calor já amainava e a paisagem ia ficando cada vez melhor.

Em Aljezur virámos para a arrifana, outra subida bem inclinada, mas uns mais depressa que outros vencemos a adversidade e chegámos ao topo. Mais uns km em sobe e desce e estávamos na pousada da Juventude total 58km. Hoje merecíamos uma cama! Banho tomado, missão cumprida e um por do sol magnifico, que mais desejar….

Dia 5

Esta seria a etapa da consagração, e depois do dia de ontem seria bem mais fácil… puro engano! As subidas não eram tão íngremes e fizemos um desvio pois foi-nos dito na pousada que a descida para a praia do cavaleiro não era aconselhada para bicicletas de cross country, apenas all mountain, pelo que arrepiámos caminho e fizemos o percurso de volta até Aljezur, o que facilitou a etapa. O grande problema foi mesmo o vento, o vento era tão forte que nem dá para descrever, a dada altura na praia da bordeira tínhamos que pedalar para descer! E foi assim o caminho todo até Vila do Bispo, uma etapa que até seria simples tornou-se muito difícil, a mais difícil de todas.

Mas não ia ser um vento, por mais forte que fosse, que nos iria impedir de chegar ao destino final ali tão perto. Almoçámos em Vila do Bispo e seguimos até ao farol do cabo de São Vicente. Ao fim de tantos kms tínhamos chegado… foi uma óptima sensação.

Ficamos essa noite e o dia seguinte no parque de campismo de Sagres, talvez o mais fraquinho de todos, muito simples só para usar de passagem, mas a palavra de ordem era descansar e retemperar forças e um pouco de praia.

Dia 6

E pronto, faltava só pedalar um pouco mais até lagos onde apanharíamos o comboio de volta a casa, apenas 30km, mas o vento voltou a atacar forte e feio até Vila do Bispo fazendo-nos perder muito tempo pelo que os nossos planos de encontrar caminhos alternativos ficaram para segundo plano e fizemos todo o trajecto até lagos pela EN 125. Esta estrada é de todo desaconselhada para bicicletas mas como tem berma na maior parte do percurso e não é este o troço mais perigoso decidimos arriscar. Conseguimos chegar a horas ao comboio.

Por a bicicleta no comboio em Portugal é um desatino, quando estive na Noruega reparei que os comboios têm um vagão inteiro para bicicletas, o nosso tinha um pequeno cubículo onde cabe pouco mais de uma meia dúzia, e estavam umas 15 bicicletas para serem despachadas. Felizmente os revisores estavam muito bem-dispostos e fizeram de Júlio isidrio a colocar pessoas num twingo e couberam todas! Nota mental, para a próxima reservar com antecedência para não haver surpresas. A viagem foi calma até Lisboa e demorou um pouco pois para transportar bicicletas é preciso apanhar o regional que vai parando por todo o sítio. Em Tunes tem de se mudar de comboio porque a concordância foi destruída aquando da expo 98 para se fazer um viaduto. Nem vale a pena pensar porquê….

Um total de 338km em cima da bike, foi um passeio inesquecível e revelador do que somos capazes de fazer quando realmente nos empenhamos. A costa vicentina é um dos meus sítios preferidos e agora vou vê-la com outros olhos, nunca mais será a mesma.

percursos

Dia 1 troia - Galé

Dia 2 Galé - Porto Covo

Dia 3 Porto Covo - Zmar

Dia 4 Zmar - Arrifana

Dia 5 Arrifana - Cabo de São Vicente









 
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