terça-feira, março 15, 2011

Uma cena nojenta


Quando pensei escrever sobre a actual situação líbia ocorreu-me que iria repetir o titulo uma cena das arábias III. Como deixei passar alguns dias esse deixou de ser, de todo, o título apropriado pois se existem algumas semelhanças com os seus vizinhos aquilo que me salta à vista é mais abrangente e feio que um problema local de um déspota tresloucado.

Kadafi está no poder há muito tempo, e sempre pautou o seu “reinado” pela crueldade. A dada altura Ronald Reagan apelidou-o de cão raivoso e bombardeou-lhe o quintal (literalmente). É certo que Ronald Reagan também tinha uns tiques de pistoleiro e não era apenas pelo seu passado cinematográfico, podia ser, e foi criticado por essa acção, mas não há nada melhor do que o tempo para dar razão às pessoas.

Adoptando uma postura mais discreta e virada ao Magrebe kadaphi passou de besta a bestial ou se preferirem de cão raivoso para “líder árabe emblemático com o qual os governos deveriam negociar etc etc…”

Agora o jogo virou de novo, cercado em Tripoli pelos revoltosos o mundo virou o bico ao prego e parece que o homem virou besta novamente, que é mau e assassino e já não representa o poder legal na líbia, até os cantores andam a devolver o dinheiro ganho a tocar para ele…

Mas…

Não se está no poder 40 anos só por acaso. Gadafi é acima de tudo um resistente, uma doença crónica que teima em não desaparecer. Como mostram as últimas notícias parece estar a ganhar terreno aos revoltosos e tudo parece indicar que irá conseguir aplacar a revolta e permanecer no poder!

Em que situação ficará a politica internacional se isso acontecer? Vai passar a bestial novamente? Em que é que ficamos? Será que Sócrates irá fazer campismo mais uma vez?

Detesto a incoerência, e isso é o que mais existe em política. Esta politica mete nojo! Estes políticos são uma vergonha.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Uma cena das Arábias II


Quem me conhece sabe que eu não sou muito fã dos muçulmanos, de modo geral, mas a verdade é que todos temos a aprender uns com os outros, convém não esquecer que a matemática evoluiu muito graças a eles, numa altura em que dominavam o mundo militarmente e intelectualmente.

Por outro lado também é associado alguma da nossa digamos… inabilidade… ao sangue muçulmano que corre nas nossas veias. Esse sangue vai aquecendo cada vez mais com o que se tem passado aqui no rectângulo, e o governo esse vai atirando mais achas para a fogueira até que um dia irá rebentar.

O iva foi mais uma acha para a fogueira com que o nosso desgoverno nos brindou no inicio do ano.

Numa tentativa de poupar cada vez mais cá em casa, temos estado bastante atentos ao valor dos ivas de cada produto e os resultados dessa observação resultam curiosos, por exemplo, numa ida a um café verificamos que uma bica e um bolo são taxados a 13%, no entanto os cereis do pequeno-almoço são taxados a 23%. A manteiga e a margarina têm iva de 6%, mas a marmelada já tem iva de 23%... E Eu GOSTO de marmelada!!!!!! Depois temos o estranho caso do grão bastardo, o enlatado que sofre um iva de 23, enquanto o seu irmão seco é de apenas 6%

Confesso não perceber como é decidida a taxa de iva a atribuir a cada produto, teoricamente, pensava eu, os produtos de 6% seriam aqueles básicos á sobrevivência mas se olharmos com atenção à conta do supermercado encontramos verdadeiras pérolas do desnorte a que chegamos, pelo que acredito que a taxa de iva é distribuída de forma arbitrária e conforme dá jeito, veja-se o vinho que sendo produto de luxo num pais civilizado cá é de apenas 13%.

Mas pior pior, é o caso do papel higiénico, pensava eu, amador, que sendo um produto essencial á vida fosse taxado com um iva baixo, mas não… o iva do papel higiénico é de 23%! Lembro-me do grão enlatado e penso, será que se podia fazer um papel higiénico mais grosso e que arranhe para termos um iva diferente? Quem quisesse ter o rabinho macio comprava um especial mais caro? Senão, teremos de voltar a aprender com os nossos amigos árabes que não sofrem de problemas com o papel higiénico pois lavam o rabo com a mão esquerda e com auxílio de água.

Uma cena das Arábias I


Por onde as coisas andam quentes é mesmo pelos lados do Egipto e arredores, impulsionados por uma necessidade básica, ou pela falta delas, inspirados pelos seus vizinhos tunisinos milhares de egípcios saem às ruas a pedir a queda do regime. Tenho acompanhado com bastante atenção o que se passa no Egipto via CNN como manda a tradição, e os sentimentos são um pouco contraditórios. Se por um lado saúdo a coragem das pessoas para saírem à rua e lutarem por algo melhor por outro encaro toda aquela confusão com bastante cepticismo.

A verdade é que as revoluções nunca são feitas pelo povo, ou melhor, são feitas pelo povo como um veículo para que outros possam chamar a si o poder. E isto é verdade em quase todas as revoluções por esse mundo fora.

É honesto assumir que nunca vivi numa situação de ditadura pelo que se me visse colocado numa situação egípcia como aquela era bem provável que me visse no meio da praça a gritar, (ou a fazer número pois gritar não é o meu forte). É portanto triste e frustrante que um sentimento bonito de mudança e de luta por algo melhor seja facilmente deturpado pela avidez humana pelo poder. Permitindo-me um pouco de futurologia imagino facilmente o extremismo islâmico a subir ao poder pela forma da irmandade islâmica, e estragar o que povo egípcio conseguiu “oferecendo-lhes” uma bela sharia em agradecimento…

quarta-feira, janeiro 26, 2011

O homem do bolo rei

Ora bem, já temos um novo presidente, novo que é como quem diz, que o cartão do cidadão não engana, ou será que engana? Será que o cavaco também teria problemas em votar? Ah e tal o senhor vota mas é em Boliqueime…

Quem não votou fui eu, pela primeira vez desde o 25 de Abril, podia mas não fui… Embora já tenha cartão do cidadão novinho em folha e com morada actualizada este ainda indicava a minha residência de sempre pelo que foi mesmo a preguiça que não me levou às urnas… daqui resulta que uma vez falhada uma eleição já não me poderei candidatar a presidente da República. Estou extremamente desgostoso…

Ou talvez não. O que é que faz exactamente um presidente da republica? Certamente que não foi a ouvir esta campanha que ficamos a saber, mas também desde quando é que se descobre alguma coisa a seguir campanhas eleitorais? Também não haveria de ser nesta. O que faz então um PR? Ao seguirmos os seus sucessores reparamos que passeia, fala muito mas age pouco, volta e meia lá veta uma lei, esta desce á assembleia e volta a subir igual sendo depois aprovada, pode, tem o poder último de dissolver a assembleia, mas não o usa, e quando foi usado foi mal. Ser presidente é pior que ocupar um cargo sem poder, tem poder mas não usa! Enfim é como uma espada que não corta! É uma rainha de Inglaterra.

Enfim o homem lá ganhou, o que não era difícil de prever, face ao que estava em causa e face aos concorrentes em causa.

E quem é Cavaco silva? Fala-se de Sá carneiro, de Mário Soares, de Álvaro cunhal, esses eu não conheço mas cavaco sim, esse, eu conheço, ele é o político que a minha geração acompanhou para o bem e para o mal durante as ultimas décadas, ora como ministro ora como politico em poisio ora como PR. Sinceramente nunca pensei que chegasse a presidente mas ganhar a segunda vez, é mesmo dizer que este povo tem o que merece.

Mas, o que até nem eu esperava, face á postura da pessoa, é de lhe rever alguns tiques de dirigente do FCP que tem mau perder e também tem mau ganhar. Numa altura em devia vangloriar-se de ter ganho à primeira e com uma grande margem de votos face aos outros candidatos, Cavaco Silva faz um discurso triste e com uns maus fígados que só visto a criticar tudo e todos inclusive quem não votou nele. Pensando bem sobre o assunto acho que lhe tinha ficado melhor na figura se em vez de ter falado atafulhasse a boca de bolo-rei como já fez noutras ocasiões.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

De olhos no céu

Bom

Eis-me de volta, agora que 2011 começa a arrancar arrancamos nós também rumo a mudanças e novos projectos…

Este post ficou congelado no tempo, algures entre o meu lóbulo esquerdo e o direito, e hoje escorregou para as mãos pois queria ser, tinha de ser, o primeiro.

Chamam-se spotters e tem como actividade olhar o céu em busca de aviões, são encontrados junto às pistas dos aeroportos com grandes máquinas fotográficas à espera daquele momento único, daquela fotografia que enche o espírito.

Embora a minha grande paixão sejam os comboios gosto de aviões desde pequenino por isso não foi difícil encontrar-me junto aos topos da pista da portela a tirar fotografias mentais aos movimentos. Digo mentais porque não tenho nenhum canhão.

Eis que levanta um airbus 330 com destino ao Brasil, o barulho com que se afasta é majestoso e como frisou o Alexandre, agora e durante mais 11 horas, nada pode falhar….

Falhar…

Em Novembro ultimo, (não posso deixar os posts tanto tempo entalados), um tal de Barack veio a Portugal, ele e mais uns tantos quanto ele, por causa disso houve reboliço como nunca na portela, havia aviões para todos os gostos mas o prémio especial era este….

O airforce one

Para ser mais correcto air force one é o callsign de radar do avião do presidente dos states, que por acaso é um boeing 747, que para ser mais correcto ainda é a sua variante vc-25.

Preciosismos á parte, o que nós queríamos ver era mesmo o avião pelo que quando o Alexandre (quem me despertou para o plane spoting) me convidou era impossível recusar.

Claro que nesse dia foi muito difícil ver o que fosse, pois a policia fez um cerco apertado não deixando que ninguém se chegasse perto da pista, (entenda-se perto das imediações da pista), seguiu-se um jogo do gato e do rato com os spotters a irem de lugar de observação em lugar de observação sendo sempre enxotados pela policia, muito bem educados, os policias, mas impedindo-nos de ver os aviões.

Isso irritou-me pois se eu quisesse mandar um míssil mandava á mesma não precisando de estar perto da pista, não me venham falar de segurança, ao que o Alexandre respondeu, “ sabes António, em Portugal é assim, somos uns desleixados e depois quando temos de organizar algo ou sermos responsáveis acabamos por exagerar com excesso de zelo.”

Estas palavras fizeram sentido para mim, acho que é típico nosso, esta tendência para o exagero, ou falta de rigor, ou rigor de mais, sempre em más doses… temos receio, medo, vergonha de falhar para os outros? E para nós?

Apesar de tudo, fugindo daqui fugindo dali acabámos por ver os dois airforces algures de entre o meio das barracas do bairro de Angola (medo)…

Apesar de bonito e imponente o avião que eu queria ver era mesmo este tupolev, mas pronto, fica para outro dia…

sexta-feira, outubro 15, 2010

 
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