quarta-feira, janeiro 26, 2011

O homem do bolo rei

Ora bem, já temos um novo presidente, novo que é como quem diz, que o cartão do cidadão não engana, ou será que engana? Será que o cavaco também teria problemas em votar? Ah e tal o senhor vota mas é em Boliqueime…

Quem não votou fui eu, pela primeira vez desde o 25 de Abril, podia mas não fui… Embora já tenha cartão do cidadão novinho em folha e com morada actualizada este ainda indicava a minha residência de sempre pelo que foi mesmo a preguiça que não me levou às urnas… daqui resulta que uma vez falhada uma eleição já não me poderei candidatar a presidente da República. Estou extremamente desgostoso…

Ou talvez não. O que é que faz exactamente um presidente da republica? Certamente que não foi a ouvir esta campanha que ficamos a saber, mas também desde quando é que se descobre alguma coisa a seguir campanhas eleitorais? Também não haveria de ser nesta. O que faz então um PR? Ao seguirmos os seus sucessores reparamos que passeia, fala muito mas age pouco, volta e meia lá veta uma lei, esta desce á assembleia e volta a subir igual sendo depois aprovada, pode, tem o poder último de dissolver a assembleia, mas não o usa, e quando foi usado foi mal. Ser presidente é pior que ocupar um cargo sem poder, tem poder mas não usa! Enfim é como uma espada que não corta! É uma rainha de Inglaterra.

Enfim o homem lá ganhou, o que não era difícil de prever, face ao que estava em causa e face aos concorrentes em causa.

E quem é Cavaco silva? Fala-se de Sá carneiro, de Mário Soares, de Álvaro cunhal, esses eu não conheço mas cavaco sim, esse, eu conheço, ele é o político que a minha geração acompanhou para o bem e para o mal durante as ultimas décadas, ora como ministro ora como politico em poisio ora como PR. Sinceramente nunca pensei que chegasse a presidente mas ganhar a segunda vez, é mesmo dizer que este povo tem o que merece.

Mas, o que até nem eu esperava, face á postura da pessoa, é de lhe rever alguns tiques de dirigente do FCP que tem mau perder e também tem mau ganhar. Numa altura em devia vangloriar-se de ter ganho à primeira e com uma grande margem de votos face aos outros candidatos, Cavaco Silva faz um discurso triste e com uns maus fígados que só visto a criticar tudo e todos inclusive quem não votou nele. Pensando bem sobre o assunto acho que lhe tinha ficado melhor na figura se em vez de ter falado atafulhasse a boca de bolo-rei como já fez noutras ocasiões.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

De olhos no céu

Bom

Eis-me de volta, agora que 2011 começa a arrancar arrancamos nós também rumo a mudanças e novos projectos…

Este post ficou congelado no tempo, algures entre o meu lóbulo esquerdo e o direito, e hoje escorregou para as mãos pois queria ser, tinha de ser, o primeiro.

Chamam-se spotters e tem como actividade olhar o céu em busca de aviões, são encontrados junto às pistas dos aeroportos com grandes máquinas fotográficas à espera daquele momento único, daquela fotografia que enche o espírito.

Embora a minha grande paixão sejam os comboios gosto de aviões desde pequenino por isso não foi difícil encontrar-me junto aos topos da pista da portela a tirar fotografias mentais aos movimentos. Digo mentais porque não tenho nenhum canhão.

Eis que levanta um airbus 330 com destino ao Brasil, o barulho com que se afasta é majestoso e como frisou o Alexandre, agora e durante mais 11 horas, nada pode falhar….

Falhar…

Em Novembro ultimo, (não posso deixar os posts tanto tempo entalados), um tal de Barack veio a Portugal, ele e mais uns tantos quanto ele, por causa disso houve reboliço como nunca na portela, havia aviões para todos os gostos mas o prémio especial era este….

O airforce one

Para ser mais correcto air force one é o callsign de radar do avião do presidente dos states, que por acaso é um boeing 747, que para ser mais correcto ainda é a sua variante vc-25.

Preciosismos á parte, o que nós queríamos ver era mesmo o avião pelo que quando o Alexandre (quem me despertou para o plane spoting) me convidou era impossível recusar.

Claro que nesse dia foi muito difícil ver o que fosse, pois a policia fez um cerco apertado não deixando que ninguém se chegasse perto da pista, (entenda-se perto das imediações da pista), seguiu-se um jogo do gato e do rato com os spotters a irem de lugar de observação em lugar de observação sendo sempre enxotados pela policia, muito bem educados, os policias, mas impedindo-nos de ver os aviões.

Isso irritou-me pois se eu quisesse mandar um míssil mandava á mesma não precisando de estar perto da pista, não me venham falar de segurança, ao que o Alexandre respondeu, “ sabes António, em Portugal é assim, somos uns desleixados e depois quando temos de organizar algo ou sermos responsáveis acabamos por exagerar com excesso de zelo.”

Estas palavras fizeram sentido para mim, acho que é típico nosso, esta tendência para o exagero, ou falta de rigor, ou rigor de mais, sempre em más doses… temos receio, medo, vergonha de falhar para os outros? E para nós?

Apesar de tudo, fugindo daqui fugindo dali acabámos por ver os dois airforces algures de entre o meio das barracas do bairro de Angola (medo)…

Apesar de bonito e imponente o avião que eu queria ver era mesmo este tupolev, mas pronto, fica para outro dia…

sexta-feira, outubro 15, 2010

terça-feira, outubro 12, 2010

A inevitabilidade da queda



Tinha prometido a mim mesmo que não iria fazer grande comentários acerca do meu último destino de férias e ainda mais iria resistir a fazer comparações entre os dois países. Até me estava a portar bem, mas entretanto os nossos políticos andam ao rubro e com orçamentos pelo meio não sou capaz de não meter a minha colher…

Portugal está mal, mas o que mais me aflige é que os problemas que tem não são propriamente uma novidade nos 800 anos da sua história. Temos os cofres vazios e gastamos mais do que aquilo que produzimos originando uma dívida externa gigante. Nada disto é surpresa para o rectângulo. Desde os descobrimentos que temos passado por altos e baixos ora descobrindo riquezas ora desbaratando tudo para voltarmos à pobreza. Após o 25 de Abril e perante um novo período complicado fomos salvos pelo FMI, antes que fosse preciso nova intervenção apareceu a CEE para nos injectar de fundos, e agora o que vamos desencantar para resolver a nossa situação? Mais interessante do que a forma como vamos sair do buraco, se sairmos… é tentar entender porque é que isto nos acontece. É algo que me intrigou desde há vários anos, isto porque no fundo o português é uma mistura de povos ibéricos, europeus árabes, judeus, africanos e mais uma misturada de nacionalidades cada uma com as suas características. Perante tanta mistura como é possível que em 800 anos continuemos a ter os mesmos defeitos??

Após conversas com amigos e alguma literatura lida chego a 2 conclusões, os culpados são a religião e o clima.

1 Religião, somos cristãos católicos romanos, com todas as vantagens e desvantagens que isso implica, sem querer entrar por juízos de valores pois qualquer religião tem as suas coisas boas e más, mas em 800 anos muitas são as marcas que deixou na nossa personalidade, uma em particular é responsável pelo sentimento de impunidade presente em tantas pessoas e que leva a que não paguem impostos e roubem o estado, estado esse também infectado por um sem número de pessoas que aliam sentido de impunidade ao poder, mistura explosiva!

Alguns especialistas pensam que no fundo tudo isto advêm do facto de que na nossa religião tudo é permitido pois Deus perdoa sempre no fim, não interessa se matei ou roubei ou cometi adultério, mais ou menos grave rezando e cometendo penitencia Deus irá sempre perdoar. Os primos não podem casar, é pecado, comer carne na sexta-feira santa é pecado, mas perante o respectivo pagamento tudo é possível. Se compararmos com as religiões protestantes verificamos uma postura diferente em que o indivíduo irá sempre ser julgado pela entidade superior quando chegar a altura. Talvez isso ajude a explicar a grande diferença de comportamento entre nós e os povos do Norte.

Um exemplo, na Noruega foi descoberto que uma deputada tinha gasto 500 euros em telefone (do estado), instada sobre a ocorrência, a deputada explicou que estava com problemas como namorado e teve de usar o telefone. A explicação não foi aceite e a sra deputada foi demitida. Comparemos agora com o comportamento do nosso primeiro…

2 O clima! Costumo dizer que o melhor que Portugal tem é o seu sol, é único na Europa e como está inacessível continua a trabalhar em pleno, pois se nós lhe conseguíssemos deitar a mão, de certeza que já tínhamos endrominado tudo.

Mas isto é só um aparte comparemos o nosso clima com o da Noruega. Grande parte do País está acima do ciclo polar Árctico, o que implica períodos de escuridão absoluta alternados com outros de total luminosidade. Na zona mais a norte existem ainda zonas de permafrost (zonas onde o solo está permanentemente congelado), o país é maioritariamente rochoso com pouco sol arável. Simplificando um pouco, a agricultura é escassa e os animais que se aguentam são renas e ovelhas, estas últimas mais no sul.

E onde é que entra o clima na nossa equação?

Entra em 2 factores, primeiro, nós tomámos o sol como dado adquirido, o sol e tudo o que ele origina, bom clima para as culturas, condições mais prósperas para viver e em segundo lugar porque nos permite não depender da comunidade em exclusivo.

Isto é impensável na Noruega, quando chega a Março e Portugal entra numa bela primavera eles continuam com um inverno rigoroso e sobrevivem porque quando o tempo esteve bom amealharam para as más alturas, em Portugal quando as coisas correm bem, desatamos a gastar o que temos sem pensar nos maus dias que poderão vir. Do mesmo modo, quando no norte da Noruega o termómetro marca 40 negativos todos os seus habitantes estão junto em comunidade porque precisam de todos para sobreviver, por isso todos contribuem para a comunidade das mais diversas maneiras como por exemplo pagando os impostos!

Vale a pena comparar com o nosso País?

E poderemos mudar as coisas um dia?

mendigo de fato


Não é fácil falar mal daquilo que gostamos, por isso tenho reservado poucas linhas ao Sporting Clube de Portugal, mas as ultimas duas notícias deixaram-me perplexo.

O presidente José Eduardo Bettencourt vai auferir um ordenado mensal de 21 mil euros. Nada contra se o Sporting fosse campeão, se jogasse bem se ganhasse… O problema é que nada disso se passa, nunca a equipa jogou tão mal, teve tão maus jogadores, maus treinadores e tão abaixo da tabela esteve. Receber um ordenado deste calibre é coisa que não se percebe, e num clube com os cofres vazios é mesmo um crime.

A outra notícia entra directamente para o anedotário do futebol português, ao que parece agora em Alvalade só de fatinho… nada de calções e havaianas e roupa desportiva também não pode ser, imagine-se! Um funcionário de uma instituição desportiva ir vestido para o trabalho com...

Roupa desportiva!

Tudo isto é ridículo de mais. Diz o presidente, o tal dos 21500€, que o vestuário deve reflectir os valores do clube. Confesso não perceber muito que valores são esses, mas vestidos de rico, com uma equipa miserável e resultados piores o meu Sporting cada vez se parece mais com a república Portuguesa, o que não é necessariamente bom…

domingo, setembro 05, 2010

Uma história triste




O meu prédio é uma mini cidade, tem 61 apartamentos, se cada apartamento tiver uma família de 3 pessoas estamos a falar de aproximadamente 100 pessoas. 100 Pessoas em corrupio a entrar e sair a qualquer hora do dia. Daqui resulta que fazer o trajecto do estacionamento até casa sem encontrar algum vizinho algo quase impossível. Alguns vizinhos vejo mais vezes que outros, outros raramente aparecem e volta e meia aparece gente que nunca vi no prédio.

Numa centena de pessoas há gente para todos os gostos e feitios, temos o motard simpático que até agora foi o único a bater à porta chateado connosco, que isto de receber os amigos é giro e tal mas karaoke às 2 da manha já passa dos limites, um policia e um agente de viagens que está quase sempre fora. Há também uma senhora bastante forte com quem eu não gosto de andar de elevador pois tenho medo que ele não arranque com o peso, não que a senhora seja assim tão gorda mas a balança do elevador está avariada e poderia criar uma situação confrangedora para ela.

Um edifício de 10 andares está cheio de personalidades, o tipo antipático de barba ou com poucas “social skills”, e claro a maluquinha do 4 andar, de quem eu literalmente fujo pois sei que uma conversa casual se arrastaria durante horas com um sentido muito nonsense, a velhinha do 8C e claro, a porteira que tem todas as chaves e abre as portas de cada apartamento ao senhor da EDP para contar a luz. Certamente que pensará que nós somos uns desarrumados, mas entre trabalho e diversão existe um sentimento de não viver para a casa que nos leva a descontrair, e acordar tarde se nos apetecer e viver bem com isso….

Sábado passado decidimos acordar mais cedo do que o costume para passear de bicicleta, ao sair do prédio reparei num lençol estendido no chão. A fita separadora, os carros da polícia e as manchas de sangue no passeio não deixavam enganar ninguém, o lençol tapava um corpo. Mais tarde ficamos a saber que o corpo pertencia à velhinha do 8C. Vivia sozinha e por isso dizer que caiu ou que saltou é especular, quem viu ainda estava em choque e tentava encontrar explicações mas também ninguém a conhecia muito bem. E que explicações encontrar como entender que tanta gente lute com unhas e dentes para se agarrar à vida e outras a descartem como algo sem valor, é uma peça que por mais voltas que se dê não encaixa no puzzle. Eu próprio não consigo ver a sua cara, tenho a certeza que me terei cruzado com ela no elevador algumas vezes, mas a sua expressão está envolta em nevoeiro.

A ironia do mundo moderno, vivemos rodeados de pessoas que conhecemos pior do que uma família na china ou na nova Zelândia. E a velhinha do 8C que vivia rodeada de pessoas estava na realidade sozinha, e assim morreu.

O passeio foi limpo e em poucos dias esquecido… a sua história esquecida.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Por lá ter estado, por ter sentido na pele o que um mineiro sente, por conhecer a pessoa em questão, por ter deixado parte do meu coração em Aljustrel.

O autor deste blog gostaria de expressar as mais sinceras condolências à família do mineiro morto nas minas de Aljustrel e lamentar que se continue a atirar jovens para o fundo da mina sem qualquer formação e/ou preparação e se negligencie um dos trabalhos mais difíceis que existe... O ser mineiro...

segunda-feira, agosto 30, 2010

4D




O meu primeiro contacto com o cinema a três dimensões foi há muitos anos atrás era eu ainda uma criança quando a RTP passou o filme o monstro da lagoa negra (filme que data de 1954)!! Lembro-me da polémica em torno do filme e de se ter comprado uns estranhos óculos a 2 cores para poder ver a 3D. Os óculos foram tudo o que vi do filme pois os meus pais mandaram-me para a cama mais cedo…

Hoje 60 anos depois o 3D no cinema é corriqueiro, não vi o monstro da lagoa negra mas com certeza que a qualidade técnica será melhor nos dias que correm, (também era melhor) … tão corriqueiro se tornou que hoje quase tudo é em 3d. Seja um filme de acção uma comédia ou um filme de animação, tudo é em 3D.

Mas o que eu queria mesmo era filmes decentes e parece-me que o 3D veio como uma panaceia para salvar a indústria cinematográfica, é tudo muito eye candy mas pouco sumo.

Tenho 3 problemas com o 3D. Primeiro é mais caro que um cinema normal, segundo temos de colocar uns óculos para podermos ver bem, o que não é nada prático para quem já tem óculos, óculos esses que até há pouco tempo tinham obrigatoriamente de ser comprados sempre que entravamos numa nova sala, hoje já se pode levar de casa, valha-nos isso, e em terceiro o aparecimento do 3D implica muito mais tempo dispendido por mim a tentar encontrar um filme que não seja 3D nem seja dobrado, o que no caso de filmes de animação não está nada fácil.

Como sempre o problema vem da impossibilidade de escolha que me aflige de sobremaneira.

E valerá a pena? Ao ver o filme into de wild the Sean penn chego à conclusão que não. Este filme de 2008 passou um pouco despercebido do público português que como é natural estava entretido com outras películas mais “comerciais” (detesto este titulo…) O filme trata a história verídica de um homem em conflito interior e com a sua família que abandona a sua vida fácil e decide partir para o Alasca onde tenta sobreviver dependendo apenas de si e do que a natureza lhe dava. Com música de Eddie Vedder num registo um pouco diferente dos Pearl Jam é um elogio ao bom cinema, aos bons actores e às bandas sonoras, um filme que nos deixa a pensar…

Com filmes assim quem precisa de 3D?

sexta-feira, agosto 20, 2010

Sinais de fumo



Estas férias fartei-me de andar de avião, 6 voos em 4 companhias aéreas diferentes. Uma das minhas favoritas continua a ser a nossa tap… gosto do atendimento, dos airbus e da comida. Gosto também quando passam nas televisões o mapa que mostra a posição do avião.

Regressava do mundo civilizado de volta a casa dividindo o meu olhar entre a televisão e a janela, na tentativa de perceber onde estava, passei o golfo da biscaia e esperava por um sinal da entrada em Portugal. Minutos depois avistei uma coluna de fumo, depois outra e depois mais outra, não havia dúvidas, já estávamos em Portugal que, como é habitual por esta época do ano anda de labareda em labareda a queimar as florestas que tem, ou isso ou é a malta a fumar os chouriços.

Talvez seja da idade ou devido a algum cansaço mental, mas já não consigo ficar zangado, acelerado, preocupado com o que vejo. Lembro-me de 2003 um ano terrível para a nossa floresta, o ano em que comecei a trabalhar e de um colega vir ter comigo e desabafar que perdera tudo, floresta, gado, tudo, nada tinha sobrado. Não soube responder à altura da informação adquirida. Hoje também não responderia, não porque não saber o que dizer mas porque um sentimento de indiferença me assola cada vez mais.

Não, não sou indiferente, mas para lá caminho, este ano nem me comovi com o geres, o meu querido geres…

Os incêndios de verão são cada vez mais normais, como o bacalhau ou o sol, e acabo por achar que é bem feito! Nós portugueses não merecemos o que temos, pois nem sequer cuidamos decentemente do que é nosso.

Deixa queimar….

segunda-feira, julho 26, 2010

Informação desnecessária III

Com condições óptimas de vento o rugido de um leão é audível a 8 km de distancia.
 
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