sexta-feira, abril 08, 2011

Mentir é feio (a Crise parte I)


O FMI vem aí!!!!!!! Fujam todos!!!!!!! ele é grande e verde, mau e feio tem dentes grandes e podres morde-nos e ficamos infectados!!!!

Confesso que gostei de ver o primeiro-ministro a anunciar a vinda do FMI, não que tenha algum prazer mórbido na vinda do Fundo monetário Internacional pois bem sei o que isso significa, gostei sim que tivesse sido ele a fazê-lo.

Eu sou daqueles que acreditam que Sócrates fez de propósito para ser demitido, ele sabia as contas do orçamento, ele sabia que o financiamento estava por um fio e as taxas de juro não iam diminuir. Sócrates sabia que tinha de pedir ajuda ao FMI o que lhe iria dar a machadada final na sua encenação do líder que tudo fez para o evitar, era um golpe no ego e ele tem-no bem grande… Assim, maquiavélico como é fez de propósito ao não avisar o PR, a assembleia da republica e os partidos da oposição, o que foi visto como uma falta de respeito foi um Tomoe nage bem executado. Acusado por todos, Sócrates teve a desculpa ideal para se demitir no momento ideal para agora se fazer de vítima e dizer que a culpa é dos outros, os maus….

Sendo dono de um orgulho enorme, deve ter sentido horrores em ter de fazer a declaração em frente de todos e pedir “ajuda”.

Mas se fiquei contente com a declaração, ou melhor, com o veículo da declaração, perturba-me algumas das estatísticas que vão aparecendo. Toda a gente sabe que Sócrates é mentiroso, aliás, mais de 70% dos portugueses sabem que Sócrates é mentiroso, no entanto este ainda possui hipóteses de ser eleito. Destas premissas resulta que existe muita gente que não considera a mentira como um forte motivo para não votar num político.

Para além de Sócrates e do FMI se calhar nós também fazemos parte do problema….

Ps, achei engraçado descrever o FMI como um dragão de Komodo, mas coitado do bicho não merece, diga-se também que o que mata não são os dentes mas o cocktail de bactérias que tem na boca, que não tendo tratamento conhecido acaba por matar a vítima por septicemia.

quarta-feira, março 16, 2011

Tecnologia de ponta... ou não

O Mercedes classe S é tido como a plataforma de evolução automobilística por excelência, ou seja, tudo ou quase tudo o que os nossos carros têm hoje em dia já passou pelo classe S, airbags, travões de disco, sensores de estacionamento, todos os gadjets tecnológicos imagináveis passaram pelo classe S antes de chegarem aos nossos carros mais “vulgares”.

No entanto, apesar de ser um pináculo da evolução automobilística continua a usar um simples motor a combustão como meio de locomoção, e digo simples pois o funcionamento de um motor deste tipo é no essencial bastante básico e a sua invenção já é bem antiga. Esta convivência de tecnologia de ponta que precisa de tecnologia antiquada para sobreviver pode ser observada em diversos objectos do dia-a-dia.

Tomemos por exemplo a minha televisão, um lcd de 32 polegadas preparado para alta definição, marca de qualidade, boa imagem, uma peça de alta tecnologia.

Como nos mudámos de casa optámos por descartar o serviço meo e neste momento enquanto esperamos novo servidor de internet não temos serviço televisivo para além dos 4 canais. Como a antena do prédio está em más condições tivemos de usar uma solução alternativa patrocinada pelo génio inventivo do meu pai.


Esta é a antena actual, composta por 4 garfos, dois deles de sobremesa e um pão (bola saloia, penso eu), há que dizê-lo que a recepção não é grande coisa, o 2º canal vê-se com algum grão a sic e a rtp com bastante grão e a tvi não se vê.

Sim, é verdade, apesar de toda a tecnologia presente na televisão tudo o que precisámos para captar o sinal foi um pão e 4 garfos. Vejo-me ao volante de um potente Mercedes mas incomodado por continuar a ter necessidade de abastecer com combustíveis fósseis como faziam os nossos avós.

Nota técnica

Na realidade o pão não possui nenhuma característica especial que permita receber as notícias, a função do pão é apenas para suportar os garfos aos quais foram ligados os dois condutores do cabo coaxial, os garfos sim, captam as ondas de televisão cuja qualidade da imagem será tanto maior quanto maior forem os garfos, infelizmente não tínhamos garfos de trinchar pelo que não apanhamos a tvi.

Ocorre-me que no futuro com a televisão digital terrestre podiam inventar uma antena que só apanhasse os programas que gostássemos, isso sim era evolução a sério….

terça-feira, março 15, 2011

Uma cena nojenta


Quando pensei escrever sobre a actual situação líbia ocorreu-me que iria repetir o titulo uma cena das arábias III. Como deixei passar alguns dias esse deixou de ser, de todo, o título apropriado pois se existem algumas semelhanças com os seus vizinhos aquilo que me salta à vista é mais abrangente e feio que um problema local de um déspota tresloucado.

Kadafi está no poder há muito tempo, e sempre pautou o seu “reinado” pela crueldade. A dada altura Ronald Reagan apelidou-o de cão raivoso e bombardeou-lhe o quintal (literalmente). É certo que Ronald Reagan também tinha uns tiques de pistoleiro e não era apenas pelo seu passado cinematográfico, podia ser, e foi criticado por essa acção, mas não há nada melhor do que o tempo para dar razão às pessoas.

Adoptando uma postura mais discreta e virada ao Magrebe kadaphi passou de besta a bestial ou se preferirem de cão raivoso para “líder árabe emblemático com o qual os governos deveriam negociar etc etc…”

Agora o jogo virou de novo, cercado em Tripoli pelos revoltosos o mundo virou o bico ao prego e parece que o homem virou besta novamente, que é mau e assassino e já não representa o poder legal na líbia, até os cantores andam a devolver o dinheiro ganho a tocar para ele…

Mas…

Não se está no poder 40 anos só por acaso. Gadafi é acima de tudo um resistente, uma doença crónica que teima em não desaparecer. Como mostram as últimas notícias parece estar a ganhar terreno aos revoltosos e tudo parece indicar que irá conseguir aplacar a revolta e permanecer no poder!

Em que situação ficará a politica internacional se isso acontecer? Vai passar a bestial novamente? Em que é que ficamos? Será que Sócrates irá fazer campismo mais uma vez?

Detesto a incoerência, e isso é o que mais existe em política. Esta politica mete nojo! Estes políticos são uma vergonha.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Uma cena das Arábias II


Quem me conhece sabe que eu não sou muito fã dos muçulmanos, de modo geral, mas a verdade é que todos temos a aprender uns com os outros, convém não esquecer que a matemática evoluiu muito graças a eles, numa altura em que dominavam o mundo militarmente e intelectualmente.

Por outro lado também é associado alguma da nossa digamos… inabilidade… ao sangue muçulmano que corre nas nossas veias. Esse sangue vai aquecendo cada vez mais com o que se tem passado aqui no rectângulo, e o governo esse vai atirando mais achas para a fogueira até que um dia irá rebentar.

O iva foi mais uma acha para a fogueira com que o nosso desgoverno nos brindou no inicio do ano.

Numa tentativa de poupar cada vez mais cá em casa, temos estado bastante atentos ao valor dos ivas de cada produto e os resultados dessa observação resultam curiosos, por exemplo, numa ida a um café verificamos que uma bica e um bolo são taxados a 13%, no entanto os cereis do pequeno-almoço são taxados a 23%. A manteiga e a margarina têm iva de 6%, mas a marmelada já tem iva de 23%... E Eu GOSTO de marmelada!!!!!! Depois temos o estranho caso do grão bastardo, o enlatado que sofre um iva de 23, enquanto o seu irmão seco é de apenas 6%

Confesso não perceber como é decidida a taxa de iva a atribuir a cada produto, teoricamente, pensava eu, os produtos de 6% seriam aqueles básicos á sobrevivência mas se olharmos com atenção à conta do supermercado encontramos verdadeiras pérolas do desnorte a que chegamos, pelo que acredito que a taxa de iva é distribuída de forma arbitrária e conforme dá jeito, veja-se o vinho que sendo produto de luxo num pais civilizado cá é de apenas 13%.

Mas pior pior, é o caso do papel higiénico, pensava eu, amador, que sendo um produto essencial á vida fosse taxado com um iva baixo, mas não… o iva do papel higiénico é de 23%! Lembro-me do grão enlatado e penso, será que se podia fazer um papel higiénico mais grosso e que arranhe para termos um iva diferente? Quem quisesse ter o rabinho macio comprava um especial mais caro? Senão, teremos de voltar a aprender com os nossos amigos árabes que não sofrem de problemas com o papel higiénico pois lavam o rabo com a mão esquerda e com auxílio de água.

Uma cena das Arábias I


Por onde as coisas andam quentes é mesmo pelos lados do Egipto e arredores, impulsionados por uma necessidade básica, ou pela falta delas, inspirados pelos seus vizinhos tunisinos milhares de egípcios saem às ruas a pedir a queda do regime. Tenho acompanhado com bastante atenção o que se passa no Egipto via CNN como manda a tradição, e os sentimentos são um pouco contraditórios. Se por um lado saúdo a coragem das pessoas para saírem à rua e lutarem por algo melhor por outro encaro toda aquela confusão com bastante cepticismo.

A verdade é que as revoluções nunca são feitas pelo povo, ou melhor, são feitas pelo povo como um veículo para que outros possam chamar a si o poder. E isto é verdade em quase todas as revoluções por esse mundo fora.

É honesto assumir que nunca vivi numa situação de ditadura pelo que se me visse colocado numa situação egípcia como aquela era bem provável que me visse no meio da praça a gritar, (ou a fazer número pois gritar não é o meu forte). É portanto triste e frustrante que um sentimento bonito de mudança e de luta por algo melhor seja facilmente deturpado pela avidez humana pelo poder. Permitindo-me um pouco de futurologia imagino facilmente o extremismo islâmico a subir ao poder pela forma da irmandade islâmica, e estragar o que povo egípcio conseguiu “oferecendo-lhes” uma bela sharia em agradecimento…

 
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