Estou certo que qualquer pessoa que leve a si a responsabilidade de construir a sua própria casa se depare com a grande dificuldade de montar uma casa de banho, tal é a variedade de material que temos à escolha, se juntarmos a isto uma cara metade com opiniões diferentes a coisa fica ainda mais complexa… é um pouco como aqueles treinadores que têm uma grande equipa e não sabem bem quem por de inicio, só que aqui a dúvida é que cor de azulejos usar e será que ficam bem com aquela banheira???
A vida é feita de escolhas, e quando perante um problema, se existir apenas uma solução tudo fica mais simples.
É isso que se passa em Viena, talvez para simplificar o modo de vida dos austríacos parece haver apenas um modelo de casa de banho, e sobretudo apenas um tipo de sanita. Um pesadelo para quem não suporta a normalização que é agravado pelo tipo de sanita que foi eleito… e qual é a tal sanita?
Apresento-vos a por mim apelidada sanita planalto…
Acho que a imagem fala por si, e a bem do nível do blog não vou aqui descrever o desenvolvimento de uma utilização normal neste sanitário. Fácil também se torna áqueles de imaginação mais fértil, a utilização desta sanita numa altura de maior aperto…
Mal de nós, habituados que estamos aos nossos lavabos depararmo-nos com isto… mas o pior é que parecia não haver muita imaginação no design de lavatório austríacos pois95% das casas de banho por nós frequentadas tinham este tipo de sanita, e acreditem, todas as casas de banho frequentadas foram analisadas quanto ao tipo de sanitas...
Como parece não haver muita imaginação na Áustria aqui deixo o link da roca onde os sharzeneger s podem tirar umas ideias…
A antiga jugoslávia era formada por republicas, A Servia, croácia Eslovénia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro e Macedónia, e com tanto pais o seu ditador, o marechal Tito escolhia a Eslovénia para tirar férias…. Porque será?
Em vez de ficar aqui a explicar como o sitio é giro desta vez vou fazer uma reportagem fotográfica…
Ljubliana, vista do rio,
Cidade pequena, limpa e pacata, foi pena o tempo encoberto pois teria certamente outro encanto.
Vistas de piram,
Os eslovenos só têm 40 km de costa, mas são quarenta km que valem bem a pena, e sempre têm o adriático com agua quente e calminha, o que lhes falta é a areia, que para mim até é uma vantagem…
Vista do 3 maior desfiladeiro subterrâneo do mundo,
A Eslovénia é um autentico queijo suíço, é grutas por todo o lado, a foto acima não foi tirada por mim pois é proibido tirar fotografias nas grutas, foi sem dúvida a melhor que visitei, pela grandiosidade da caverna principal quer pela forma como a guia conduziu a viagem. (nota, a foto está demasiado clara, na realidade a gruta é bem mais escura).
Lago bled, Era aqui que o senhor marechal passava ferias… tratava-se bem, o senhor….
Quedas de água às paletes… e esta nem sequer é das melhores….
Como sabem, eu sou muito guloso por isso não vou voltar a dize-lo….Bolas já disse…
Uma imagem que irá ficar de Viena é a do sacher torte…diz a história que um dia hà 175 anos atrás um senhor chamado Franz Sacher inventou a receita de um bolo de chocolate. O bolo na minha descrição é um bolo de chocolate simples coberto de chocolate preto e com um pequeno selo de garantia também de chocolate, é servido com natas para não ser tão maçudo. Poderia estar aqui a rasgar-me em elogios ao bolo mas não é necessário, se um bolo é vendido desde hà 175 anos é porque deve ser bom…..
O ataque ao sacher deu-se no café do próprio hotel Sacher onde é feito o melhor bolo Sacher, e de facto o bolo é divinal, doce mas não muito roça a perfeição. O preço? 4,80€… é muito por uma fatia de bolo? É mas como dizemos nestas alturas quando é a próxima vez que visito Viena? Talvez nunca mais, por isso venha dai o bolo e já agora, um chá verde com ervas do bosque pelo mesmo preço de um sacher.
Enquanto degustava o bolo não pude deixar de pensar que sou, éramos, uns privilegiados, quantas pessoas terão a mesma oportunidade que eu tive, de comer um bolo fantástico… quantas pessoas vivem com menos de um euro por dia? E se pensarmos nas pessoas que vivem com menos de 5 euros por dia esse número cresce ainda mais!
Dá que pensar, quando nos queixamos que a nossa vida é má, devíamos morder a língua e pensar que muita gente está bem pior que nós. Devíamos sim dar graças por termos o que comer, vivermos num pais seguro podermos estudar e ser livres para escrever num blog.
Lembro-me, um dia, de andar às voltas com um pedra sem perceber muito bem se estava perante um fóssil ou um mineral (às vezes não se percebe muito bem). Ao mostrar o espécimen a um colega espanhol que estava por cá a fazer um erasmus ele respondeu, António, depende da pessoa a quem o mostrares, se for um professor de mineralogia dirá estar perante um mineral, se for um paleontólogo ele não terá dúvidas em afirmar ser um fóssil…
No fundo, as pessoas vêem o que querem ver e não necessariamente aquilo que as coisas são. Isto pode ser extrapolado para um sem número de situações similares. Se não gostarmos de alguém o que ela nos diz está à partida errado , mesmo que esteja certo e por ai adiante.
De certa forma eu já tinha consciência disto, mas mesmo racionalizando é difícil não fazer estes “juízos” de valor. Desde já recomendo a leitura do livro irracional.
Bom, e a foto em cima?
Estas foram umas férias muito movimentadas onde passei por 4 países, uma daqueles férias que quando acabam se quer mais férias para se descansar. Passei pela Áustria, Eslovénia, Itália e Croácia. A ideia inicial seria visitar a Eslovénia, mas como a minha adorada TAP não faz voos directos para a Eslovénia as viagens foram via Viena (3 dias) e regresso por Zagreb em que só pernoitaríamos uma noite porque já sabemos, aquilo é muito feio.
Começando pelo fim, Zagreb é uma cidade muito feia. A entrada deu-se pela principal auto estrada que liga ljubliana à capital croata. E logo logo deu para perceber que se estava perante um pais diferente, onde não faltaram inúmeros edifícios da Alemanha de Leste (expressão por mim empregue para apelidar aqueles edifícios de apartamentos enormes cinzentos e enfadonhos e a cair de podre).
Com a malas já entregues ao hotel, (de que falarei mais tarde) passeamos por Zagreb. A cidade tem o seu centro histórico mas o resto é mesmo muito feio. Os comentários pouco simpáticos para com a capital croata foram-se repetindo entre o grupo até nos depararmos com o edifício da fotografia acima…
Estava eu a fotografar semáforos quando me deparei com aquilo. Não sei se sofreu um incêndio ou se ainda é resultado da guerra dos Balcãs, mas que estava em mau estado estava e a fotografia não lhe faz jus…
Após fotografar o objecto virei-me para a esquerda e deparei-me com outro edifício que dominava a praça…
O que estão a ver é o teatro de Zagreb, que em contraste absoluto com o prédio em ruínas é lindíssimo.
Como é possível que perante duas imagens tão distintas todos nós nos focássemos só naquilo que é mau?
Porque era o que estávamos à espera. Se Zagreb é feia então só faria sentido que fosse o prédio a existir e não o teatro…
A realidade é sempre o meio termo, nem Zagreb é assim tão feia, nem a Eslovénia assim tão bonita, nem os austríacos todos umas bestas…
Comecemos por falar de gado, esse tema tão negligenciado aqui no blog.
Vacas, touros, cavalos e ovelhas… seriam dos primeiros animais a morrer caso os humanos desaparecessem… e nós também sofreríamos caso eles desaparecessem. O que seria de Miranda sem a sua posta, a magnifica posta mirandesa assada em lenha de videira ahh maravilha…
Mas hoje vou falar em particular de uma espécie de bois, os Texas Longhorn. Estes simpáticos bovinos são assim baptizados* devido à sua… como direi… protuberante… exagerada talvez, cornadura. Diz a wikipédia que chegam a ter presas com 2,0m.
Convenhamos que 2,00m de corno é muito corno! E tanto corno dá ao animal um ar feroz e imponente. No entanto estes animais são conhecidos pela sua gentileza e inteligência.
Esta particularidade meio em jeito de antítese, faz com que eu goste mais ainda dos Longhorn, porque com o passar do tempo gosto cada vez mais das pessoas brutas, ou fazendo eu um eufemismo, as pessoas sem filtro. Porque as pessoas sem filtro dizem o que pensam, dizem o que sentem e acabam por passar por antipáticas ou brutas tantas são as entradas a pés juntos, mas a verdade é que subjacente a essa crueza está muitas vezes associada uma honestidade e sinceridade que é cada vez mais apreciada e querida por mim. Tal como os Longhorn tem um cartão de visita que pode afastar, ao conhece-los a fundo vemos que são muito melhores que os outros, os que não têm cornos, esses sim os perigosos, os cínicos e os dissimulados
E por falar em cínicos e dissimulados vamos falar de politica, escrevia hoje no jornal Correio da Manhã o jornalista António Ribeiro Ferreira
"Neste sítio um ministro pode ir para a rua por um par de cornos infantis ou por uma piada de mau gosto. As roubalheiras, os negócios escuros, os compadrios, a corrupção a céu aberto e o tráfico de influências, não só são tolerados como premiados nas urnas".
Cito este texto porque foi exactamente o que senti com a demissão do ministro Miguel Pinho. O que ele fez não se faz, muito embora ele se sentisse atingido nas declarações que estavam a ser feitas, e quem não sente não é filho de boa gente, costuma-se dizer. Mas a verdade é que muito pior é todo o comportamento continuo de todos os seus pares que mentem e se insultam diariamente uns aos outros e a todos nós e nada acontece!
Que escala de valores tão distorcida…
Cada vez gosto mais de quem marra…
* repare como o autor escolhe escrever em português arcaico o que só por isso abrilhanta o post de sobremaneira.
Já por diversas vezes escrevi aqui no blog que sou guloso e comilão.. não é portanto novidade. Noutro dia a minha cara metade fez ovos com ervilhas, um prato simples mas muito saboroso… muito português. Ora aqui o je comeu até não poder mais e como a noite já estava entradita a cama foi o destino óbvio.
Eram 4:30 da manha quando acordei alagado em suor e com fortes dores abdominais, a digestão parou e lá comecei eu a martirizar-me por comer sempre demais do que devia. Pôr os dedos à boca era um caminho óbvio para aliviar o mau estar, mas acabámos por telefonar para a saúde 24.
(convém abrir aqui um parênteses para elogiar a linha saúde 24. Confesso que tinha muitas reticencias da primeira vez que liguei, pensava eu que ia ser despachado olimpicamente, mas não, fui sempre bem atendido e atenção prestada ao doente é real e útil).
Desta vez o conselho prático foi andar! Uma vez que a digestão parecia ter parado fazia bem andar para que o estômago preguiçoso voltasse a trabalhar. Assim, pelas 5 da manhã, enquanto a grande Lisboa dormia sogadita lá em baixo, eu andava pela casa para ver se o estômago fazia o seu trabalho.
Enquanto andava pela casa a fora lembrei-me da autora desta expressão, edite a africana, que queria fazer jogging mas não gostava de correr e assim optou por uma versão de jogging em que se anda em vez de correr, o anding. E eu acabo de descobrir uma versão medicinal de anding. O home anding muito útil quando a digestão pára.
Brita... na definição roubada na net diz-se que: Brita é a pedra quebrada mecanicamente em fragmentos de diversos diâmetros. A classificação do tipo da brita é de acordo com seu diâmetro. É classificada de 0 (zero) a 4, em ordem crescente.
E por estes dias é quase tudo o que faço… colunas de brita, stone columns em inglês, ou colunas de grava em espanhol.
E como é fazer colunas de brita? No fundo é como fazer chouriços. No chouriço tira-se a carne do porco tritura-se a carne e volta-se a pô-la dentro do porco (na tripa). Nas colunas de brita, extrai-se a pedra da Terra, brita-se e coloca-se a brita dentro da Terra…
Não há tempo….
Ps..prometo nos próximos tempos arranjar uma definição em condições (à engenheiro) para brita… mas agora não me apetece pensar muito…
Quem o diz é Jorge Palma, que não sendo uma das minhas referencias musicais, pela música e pelo estilo de vida auto-destrutivo, é sem sombra de dúvida um dos maiores poetas dos tempos modernos. E a frase com que começa este blog é uma grande verdade desde sempre mas que para mim faz cada vez mais sentido nos dias de hoje. A palavra escravo pode ter uma conotação muito forte mas a verdade é que a vida de um Homem está cheia de amarras, de grilhetas, que quanto mais e maiores menos nos permite viver a vida na sua plenitude.
Claro que o poeta Jorge também tem resposta para isto, diz ele na sua canção “A gente vai continuar” “reduz as necessidades se queres passar bem”....... tudo muito certo, mas por mais que reduzamos as necessidades existe sempre a necessidade de ter uma casita e um carrito, algum conforto e segurança, e tudo isto exige um emprego. Tudo isto exige (nos tempos modernos) que nos matemos a trabalhar desde tenra idade para conseguir cumprir estas necessidade, as nossas e as da familia...
Vem isto tudo a propósito da minha maezinha, que, trabalhadora desde os 14 anos foi esta semana brindada com um pequeno bombom da caixa geral de aposentações. Por decreto real a partir do dia 1 de Maio poderá aposentar-se mediante o pagamento de um “pequeno” dizimo ao reino... um “pequeno” preço pela sua liberdade....
Mas a liberdade sempre chega, o que custa é saber o que fazer com ela...
Parabéns mãe, tens agora o futuro pela frente e o leme para o dirigires...
Não gosto particularmente de rótulos, tenho dificuldade em entender o raciocínio simplista que as pessoas têm de enquadrar e catalogar as pessoas baseado apenas em pequenas particularidades do individuo, seja a roupa que veste, a música que ouve, a cor do cabelo! Todos somos diferentes um dos outros e reduzir a complexidade de um ser humano a apenas um punhado de características é errado e perigoso.
Costumo dizer que os rótulos apenas são bons para encontrar cd´s nas prateleiras, convenhamos que dá muito jeito saber que Diana Krall está na prateleira do jazz vocal, que Handel estará na prateleira da música clássica barroca e que buraka som sistema está junto com outros cd´s de kuduro progressivo e naturalmente será uma zona a evitar…
Da mesma forma, as pessoas também são divididas em direita ou esquerda consoante os seus ideais políticos. Confesso que esta divisão me confundiu durante muito tempo pois no fundo todos deveriam ter como objectivo o bem estar das populações que servem e sejamos de direita ou esquerda aquilo que nos faz feliz, e nos dá bem estar não irá diferir muito. Em principio isto é verdade, a forma de o conseguir é que pode diferir um pouco.
Particionado pela estrela do mar chegou-me ás mãos um link para um teste interessante. A ideia é situar a pessoa no espectro politico (ena pá!) consoante as repostas dadas a um teste.
O interessante é que aqui as pessoas não são divididas somente em esquerda e direita, mas também em liberais e autoritários. O que alarga um pouco as diferenças entre as pessoas politicas. Citando as palavras do site “On the non-socialist side you can distinguish someone like Milton Friedman, who is anti-state for fiscal rather than social reasons, from Hitler, who wanted to make the state stronger, even if he wiped out half of humanity in the process”.
Bom, no que a mim me diz respeito eu fiz o teste e cai nos quadrantes de esquerda libertária, o que dito assim me soa um pouco estranho… mas sabendo que pertíssimo de mim está um senhor indiano magro e com óculos á John Lennon já fico mais contente…
A resposta é trivial, todos nós sabemos que dura 12 meses e que o mes é dividido em semanas e dias e horas. Também sabemos quanto dura uma hora. São 60 minutos e por sua vez 60 segundos fazem 1 minuto.
Mas quanto tempo dura um segundo?
Pois é.... o segundo é a unidade SI do sistema internacional, e foi definido que um segundo dura 9.192.631.770 períodos da radiação característica do Césio133 .
Ora se um segundo dura 9x10 elevado a 9 períodos de radiação um dia dura 8x10elevado a 14 períodos e um ano 3 x10 elevado a 17 períodos de césio 133.
E num segundo tudo acontece, e a vida muda de um momento para o outro, um acidente de carro, um pescoço partido, um pé fracturado, num segundo se diz sim e decide-se embarcar numa viagem, num segundo se beija ou se olha, num segundo se escolhe telefonar ou não o fazer. E se tudo pode acontecer num segundo imagine-se num ano!
O tempo é relativo, passou um ano e parece que foram muitos mais. De Aljustrel a Gondomar são 437km, e de Vila Real de Santo António aos Olivais são 324Km mas a distancia que as separa é bem maior, é toda uma história de acontecimentos que de tão grandes e cheio não cabem para contar nem em 3x10 elevado a 17 períodos de césio 133.
E assim acontece...
Um pensamento altruísta “nada é tão pequeno que não possa ser dividido”
Este titulo mais parece tirado de um livro de C.S. Lewis. Mas não, na verdade é um post 3 em 1.
Começo pelas moscas, eu sempre quis fazer um post sobre a mosca da fruta, esse pequenino ser chato e redundante, mas nunca surgiu a oportunidade, agora, não a vou desperdiçar.
Portanto, dizia eu, as drosophilas são insectos dípteros (dois pares de asas) que se alimentam de leveduras em frutos já caídos em início de decomposição, que é como quem diz que se formos descuidados e deixarmos as uvas demasiado tempo da cesta lá aparece a nossa amiga a esvoaçar e a incomodar a malta. As drosophilas possuem 1000 olhos.
E pronto, se as moscas da fruta possuem 1000 olhos eu possuo uma serie de moscas no meu olho. Passo a explicar, apareceram-me recentemente umas pequenas pintas pretas no meu campo de visão. Ao fenómeno dá-se o original nome de moscas volantes. Isto porque as pintas pretas parecem mover-se com os olhos. Confesso que me faz um pouco de confusão mas não liguei muito até ter pesquisado que este é um sintoma de um possível deslocamento da retina que pode, em alguns casos levar a cegueira.
Ups, time to go to the doc!
A ida ao médico tirou-me uma preocupação dos ombros. Existem vários motivos para ficar a ver moscas da fruta mesmo sem fruta e apenas 1 é grave. Por trás do nosso olho, da parte visível, existe uma esfera cheia de liquido que serve entre outras coisas para amortecer pequenas pancadas. Se esse saco se deslocar da retina as moscas podem aparecer o que não é grave. A situação já muda de figura se essa esfera não se deslocar toda solidariamente e ficar presa por um ponto, com o esforço constante a que o olho está sujeito esse globo pode rebentar e provocar cegueira. Esse liquido que está dentro dessa esfera é o humor vítreo, é composto por colagénio e outros compostos, se parte desse liquido condensar aparecem alguns grânulos que também formam essas moscas na visão.
As explicações cientificas são importantes para mim, dão-me segurança (falo sobre isto noutra altura), e pensei… bom, o caso mais grave é raro e acontece mais a míopes e o meu problema é precisamente o oposto, além disso não estou a ver flashes (que é o sinal de alarme). Seria mau humor? Mas nem pensar, os dias de mau humor por ano contam-se nos dedos de uma mão, deve ser mesmo um pequeno deslocamento talvez devido a um ataque de tosse que tenho com frequência…
Umas gotas depois e uma análise cuidada veio a revelar que não houve qualquer desvio e muito menos tinha uma situação que exigisse intervenção cirúrgica (o que é bom). Veredicto provável, condensação de material no dito humor. Bem sei que a bruxa de Coimbra dá cabo dos nervos a qualquer pessoa mas nem ela consegue afectar a minha boa disposição pelo que só pode ter sido mesmo o frio a condensar as partículas dentro do olho eheh. Agora é habituar-me á ideia e pronto…
Já disse que existem 1500 espécies de moscas da fruta? E se alguém estiver interessado em criar moscas da fruta para alimentar as suas plantas carnívoras aqui deixo um link para uma página que encontrei...
Quando tudo o que precisamos é de uma desculpa não precisamos ser muito inventivos, o cérebro faz todo o trabalho.
Desta vez a desculpa foi visitar o bar do gelo de Viseu, o único no nosso país. O fim de semana foi do melhor que se pode ter, com muitas peripécias pelo caminho e mostrou que o mais importante é o espírito pois quando a alma é grande consegue-se superar todas as adversidades.
Mas não é disso que quero falar mas sim do bar do gelo.
O bar do gelo é um conceito importado da Suécia, onde na região mais a norte foi construído um hotel todo em gelo, paredes, quartos, tudo é feito em gelo e assinado por designers de renome. Parte integrante do hotel existe um bar também ele todo feito em gelo como imaginam, a marca de vodka absolut pegou na ideia e desatou a inaugurar bares do gelo pelo mundo fora existindo actualmente bares do gelo na Finlândia em Londres e Tóquio. Já disse que há um em Estocolmo?
O ice bar de Viseu tem algumas diferenças pois pertence à cadeia minus five e não tem nada a ver com a absolut, o que para mim que não bebo bebidas alcoólicas é totalmente irrelevante.
A entrada são 13 euros com direito a uma bebida, (o meu compal de manga mais caro de sempre), mas o estrago dificilmente fica por aqui pois cada bebida extra são mais 6 euros. Em Estocolmo a entrada são 20 euros mais ou menos. As semelhanças com os ice bar são muitas, é nos dado um casacão à entrada e eis-nos rodeados de gelo, balcão sofás candeeiros, numa luminosidade azulada que nos transporta para outras paisagens. Em Viseu o bar estava às moscas, só lá estávamos nós, o que não nos impediu de fazer a festa toda, só tive mesmo vergonha de partir os copos como fiz na Suécia.
Sim, convém dizer que este não foi o meu primeiro ice bar, já este verão estive no ice bar de Estocolmo. Devo dizer que os casacos cá em Portugal eram melhores e a temperatura até era mais baixa, mas em Estocolmo estava mais gente o ambiente era mais divertido e deixaram-me partir os copos. A minha opinião também pode estar viciada pois Estocolmo dá 100 mil a zero a Viseu pelo que a comparação tem muito que se lhe diga.
E com este paragrafo está dado o mote para os próximos post´s, já era mais que altura de falar sobre as minhas férias passadas com a malta amiga na deslumbrante cidade de Estocolmo.
Na verdade eu sou um procrastinador e fui deixando esse assunto para trás, mas me aguardem…
A foto acima é do ice bar de Estocolmo, de referir que lá também existem emplastros…
EMEL é o fantasioso acrónimo para empresa municipal de estacionamento de Lisboa. Digo fantasioso porque na realidade deveria chamar-se empresa de multas de estacionamento de Lisboa.
O leitor certamente pensa que já entendeu tudo, é apenas um desabafo de alguém que percorria as ruas de Lisboa já a pensar em perder-se nos braços do seu amor e que, qual balde de água fria, encontrou o seu veículo com um ovo estrelado agarrado a uma roda.
Mas não, é verdade que já fui multado, 5 euros por 15 minutos de paragem, que nem paguei, eheheh. Mas não é disso que trata o post. Quiseram os afazeres profissionais que tivesse um encontro com a dita EMEL, tudo por causa de umas sondagens, era preciso arranjar espaço para a máquina e para o camião de 12 metros que a transporta, e a impedir tais manobras encontra-se uma ruela apertada e cheia de lugares de estacionamento, da tal EMEL. Se a empresa se comportasse como o seu nome indica, tratava de tudo, reservava os lugares, controlava o acesso e punha os seu homenzinhos verdes a tratar de tudo. Mas não, a empresa só precisa de uma licença da câmara e depois deixa que usemos o seu espaço. “Deixa”, e pronto, acaba a função da EMEL, contactar a câmara e a policia cabe a outros. A câmara é precisa para as licenças e é preciso policia para retirar os carros porque a EMEL não pode fazer isso, sim o seu pessoal só serve mesmo para multar. Assim é fácil.
Todos nós, com certeza já desabafamos “esta gente só serve para multar”. Neste caso, é bem verdade…
A primeira vez que vi nevar foi no insuspeito lugarejo de Casais Novos, Poderia ter sido na serra da Estrela onde todos os anos neva, ou na Serra de Montejunto, que se apresenta como o maior afloramento rochoso nas imediações, mas não, os primeiros flocos de neve que vi cair foi mesmo no local, que durante a quase totalidade da minha vida, foi lugar de pouso para as minhas cansadas asas.
Uma conjunção meteorológica especial, que não acontecia há uns 45 anos, diziam os mais velhos, efeitos dos maus tratos que infligimos à mãe natureza, diziam os mais novos… não sei o que fez com que nevasse em Lisboa e arredores, sei sim que se é raro nevar em Lisboa já em Bragança e arredores não. Este ano não foi excepção e devido a uma frente de frio polar o tempo está bastante fresquinho, vamos pôr assim… Ora, penso eu, se é costume nevar em Bragança e arredores porque é que todos os anos continuam a ficar estradas cortadas e povoações isoladas? Falta de meios? Um limpa neves é assim tão complicado de arranjar? Falta de sal? Temos uma mina! Com reservas para centenas de anos…
Eu percebo que o acesso à torre fique por vezes intransitável pois ai neva a sério, mas numa capital de distrito? Cidades como Viseu ou vila real não podem ter acesso cortados! Se nevasse um metro e meio de neve ainda entendia, mas assim não entendo como isto pôde acontecer.
Mas isso sou eu que sou burro, houve alguém mais inteligente que se chegou à frente. “ a culpa é da neve”.
É o quê?
A fantástica afirmação pertence a um alto responsável da protecção civil. Confesso que não percebi o nome, pois após tal barbaridade não fui capaz de prestar mais atenção. Então, seguindo a mesma linha de raciocínio a culpa das cheias é da água, ou quando temos hectares e hectares e mancha florestal queimada a culpa é do fogo!!
Aljustrel e as suas minas andam nas bocas do mundo, Aljustrel ou as minas… são demasiado coladas para poder distinguir onde acaba uma ou começa a outra.
É a crise é a crise, a mina vai fechar, é a crise dizem eles… ainda há pouco tempo o nosso engenheiro inaugurava com pompa e circunstancia o começo, o recomeço da produção de metal,… e agora volvidos apenas 6 meses tudo acabou, surpresa? Só para quem não trabalhou lá…
E que posso eu dizer… Faria a 2 de Janeiro 2 anos, 2 anos de constantes descidas ás profundezas da terra, 2 anos a enfrentar a morte, os perigos, um misto de coragem e loucura em doses difíceis de definir. 12 Horas por dia ou noite, melhorando as galerias, as infra-estruturas a ventilação a bombagem, centenas de galerias, e rampas feitas de carrinha ou a pé, ou de plataforma… em escadas apertadas onde a claustrofobia era levada a um novo nível, por galerias minúsculas, alagadas por águas ácidas, galerias da década de 50 com tectos e hasteais a cair tudo para recolher minerais de halotriquite. Lembro-me de um dia em particular, subi à superfície era uma da manhã, infinitas horas a 400 metros de profundidade, com água pela cintura a tentar minimizar uma inundação… nessa Altura, acreditava-se…
E tudo isto para quê?
Hoje via uma reportagem com o antigo chefe da mina, em que não compreendia (ele) como passados 13 anos os resultados ainda tinham sido piores do que na sua altura, apesar de nessa época altura já se ter avançado na resolução de muitos problemas e com muito menos tecnologia.
Eu sei porquê!
É importante o conhecimento da história para que não se repitam os erros do passado e um dos problemas deste projecto foi o fazer tábua rasa de tudo o que se tinha aprendido. Isto acontece quando as pessoas são particularmente casmurras… Ao invés de se aprender com a voz da experiencia imperou, o eu quero posso e mando, e se não gostas vais para a rua.
Não adianta muito estar aqui a lavar roupa suja, mas a verdade é que a velha máquina wolff era de facto velha, as telas novas eram boas para lagares de azeite e não para pirite, e a lavaria que tinha sido arrasada para ressuscitar nova e lavadinha estava pior que nunca. Em boa verdade quando o nosso amigo primeiro descerrou a placa, a mina já tinha imensos problemas e era inevitável que fechasse, com ou sem crise, já estava a morrer e todos nós o sabíamos só não queríamos enfrentar a realidade…
Mas o acordar do sonho sempre vem, a realidade sempre nós atinge como um raio por mais que tentemos assobiar para o lado…
Apesar de estar a viver o problema à distância, não deixo de sofrer pelas pessoas que conheci e que a meu lado tudo fizeram para que isto não acontecesse. Quando deixei a mina, não me despedi de minguem porque não o consegui fazer, estava demasiado irritado e emocionado. Queria agradecer a muita gente, com quem aprendi muito, mas por outro lado apetecia-me mandar uma serie de gente para a cadeia e o que mais me chateia é esta gente, que não merece o ar que respira, são quem se vai safar melhor, pois os outros, os que deram o que podiam e não podiam vêm-se agora abraços com casa e carro para pagar e filhos para criar num sitio onde não há empregos, onde sem mina são apenas casas num monte alentejano…. “Salvei-me” a tempo, mas isso não me alegra particularmente.
A parte que mais gostava na mina era a galeria do piso 265, apertada, pouco alta, 2,5m de altura, tinha sulfatos a por todo o lado e estalactites verdes e azuis, era calma, ninguém passava por lá, estava sempre em silencio, um silencio absoluto, uma calma infinita….
São 1:30 da manhã, este silêncio deve agora ecoar por todas as galerias… um silêncio de calma é agora um silêncio sepulcral. Quando tempo passará até que uma toro desça rampa abaixo?