domingo, abril 19, 2009

O resgate


“Somos todos escravos do que precisamos”

Quem o diz é Jorge Palma, que não sendo uma das minhas referencias musicais, pela música e pelo estilo de vida auto-destrutivo, é sem sombra de dúvida um dos maiores poetas dos tempos modernos. E a frase com que começa este blog é uma grande verdade desde sempre mas que para mim faz cada vez mais sentido nos dias de hoje. A palavra escravo pode ter uma conotação muito forte mas a verdade é que a vida de um Homem está cheia de amarras, de grilhetas, que quanto mais e maiores menos nos permite viver a vida na sua plenitude.

Claro que o poeta Jorge também tem resposta para isto, diz ele na sua canção “A gente vai continuar” “reduz as necessidades se queres passar bem”....... tudo muito certo, mas por mais que reduzamos as necessidades existe sempre a necessidade de ter uma casita e um carrito, algum conforto e segurança, e tudo isto exige um emprego. Tudo isto exige (nos tempos modernos) que nos matemos a trabalhar desde tenra idade para conseguir cumprir estas necessidade, as nossas e as da familia...

Vem isto tudo a propósito da minha maezinha, que, trabalhadora desde os 14 anos foi esta semana brindada com um pequeno bombom da caixa geral de aposentações. Por decreto real a partir do dia 1 de Maio poderá aposentar-se mediante o pagamento de um “pequeno” dizimo ao reino... um “pequeno” preço pela sua liberdade....

Mas a liberdade sempre chega, o que custa é saber o que fazer com ela...

Parabéns mãe, tens agora o futuro pela frente e o leme para o dirigires...

terça-feira, março 17, 2009

rótulos

Não gosto particularmente de rótulos, tenho dificuldade em entender o raciocínio simplista que as pessoas têm de enquadrar e catalogar as pessoas baseado apenas em pequenas particularidades do individuo, seja a roupa que veste, a música que ouve, a cor do cabelo! Todos somos diferentes um dos outros e reduzir a complexidade de um ser humano a apenas um punhado de características é errado e perigoso.

Costumo dizer que os rótulos apenas são bons para encontrar cd´s nas prateleiras, convenhamos que dá muito jeito saber que Diana Krall está na prateleira do jazz vocal, que Handel estará na prateleira da música clássica barroca e que buraka som sistema está junto com outros cd´s de kuduro progressivo e naturalmente será uma zona a evitar…

Da mesma forma, as pessoas também são divididas em direita ou esquerda consoante os seus ideais políticos. Confesso que esta divisão me confundiu durante muito tempo pois no fundo todos deveriam ter como objectivo o bem estar das populações que servem e sejamos de direita ou esquerda aquilo que nos faz feliz, e nos dá bem estar não irá diferir muito. Em principio isto é verdade, a forma de o conseguir é que pode diferir um pouco.

Particionado pela estrela do mar chegou-me ás mãos um link para um teste interessante. A ideia é situar a pessoa no espectro politico (ena pá!) consoante as repostas dadas a um teste.

O interessante é que aqui as pessoas não são divididas somente em esquerda e direita, mas também em liberais e autoritários. O que alarga um pouco as diferenças entre as pessoas politicas. Citando as palavras do site “On the non-socialist side you can distinguish someone like Milton Friedman, who is anti-state for fiscal rather than social reasons, from Hitler, who wanted to make the state stronger, even if he wiped out half of humanity in the process”.

Bom, no que a mim me diz respeito eu fiz o teste e cai nos quadrantes de esquerda libertária, o que dito assim me soa um pouco estranho… mas sabendo que pertíssimo de mim está um senhor indiano magro e com óculos á John Lennon já fico mais contente…


political compass

quinta-feira, março 12, 2009

Relatividade



Quanto tempo dura um ano?

A resposta é trivial, todos nós sabemos que dura 12 meses e que o mes é dividido em semanas e dias e horas. Também sabemos quanto dura uma hora. São 60 minutos e por sua vez 60 segundos fazem 1 minuto.

Mas quanto tempo dura um segundo?

Pois é.... o segundo é a unidade SI do sistema internacional, e foi definido que um segundo dura 9.192.631.770 períodos da radiação característica do Césio133 .

Ora se um segundo dura 9x10 elevado a 9 períodos de radiação um dia dura 8x10elevado a 14 períodos e um ano 3 x10 elevado a 17 períodos de césio 133.

E num segundo tudo acontece, e a vida muda de um momento para o outro, um acidente de carro, um pescoço partido, um pé fracturado, num segundo se diz sim e decide-se embarcar numa viagem, num segundo se beija ou se olha, num segundo se escolhe telefonar ou não o fazer. E se tudo pode acontecer num segundo imagine-se num ano!

O tempo é relativo, passou um ano e parece que foram muitos mais. De Aljustrel a Gondomar são 437km, e de Vila Real de Santo António aos Olivais são 324Km mas a distancia que as separa é bem maior, é toda uma história de acontecimentos que de tão grandes e cheio não cabem para contar nem em 3x10 elevado a 17 períodos de césio 133.

E assim acontece...


Um pensamento altruísta “nada é tão pequeno que não possa ser dividido”

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Banda sonora no super kadett

O frio o mau humor e a mosca da fruta




Este titulo mais parece tirado de um livro de C.S. Lewis. Mas não, na verdade é um post 3 em 1.

Começo pelas moscas, eu sempre quis fazer um post sobre a mosca da fruta, esse pequenino ser chato e redundante, mas nunca surgiu a oportunidade, agora, não a vou desperdiçar.

Portanto, dizia eu, as drosophilas são insectos dípteros (dois pares de asas) que se alimentam de leveduras em frutos já caídos em início de decomposição, que é como quem diz que se formos descuidados e deixarmos as uvas demasiado tempo da cesta lá aparece a nossa amiga a esvoaçar e a incomodar a malta. As drosophilas possuem 1000 olhos.

E pronto, se as moscas da fruta possuem 1000 olhos eu possuo uma serie de moscas no meu olho. Passo a explicar, apareceram-me recentemente umas pequenas pintas pretas no meu campo de visão. Ao fenómeno dá-se o original nome de moscas volantes. Isto porque as pintas pretas parecem mover-se com os olhos. Confesso que me faz um pouco de confusão mas não liguei muito até ter pesquisado que este é um sintoma de um possível deslocamento da retina que pode, em alguns casos levar a cegueira.

Ups, time to go to the doc!

A ida ao médico tirou-me uma preocupação dos ombros. Existem vários motivos para ficar a ver moscas da fruta mesmo sem fruta e apenas 1 é grave. Por trás do nosso olho, da parte visível, existe uma esfera cheia de liquido que serve entre outras coisas para amortecer pequenas pancadas. Se esse saco se deslocar da retina as moscas podem aparecer o que não é grave. A situação já muda de figura se essa esfera não se deslocar toda solidariamente e ficar presa por um ponto, com o esforço constante a que o olho está sujeito esse globo pode rebentar e provocar cegueira. Esse liquido que está dentro dessa esfera é o humor vítreo, é composto por colagénio e outros compostos, se parte desse liquido condensar aparecem alguns grânulos que também formam essas moscas na visão.

As explicações cientificas são importantes para mim, dão-me segurança (falo sobre isto noutra altura), e pensei… bom, o caso mais grave é raro e acontece mais a míopes e o meu problema é precisamente o oposto, além disso não estou a ver flashes (que é o sinal de alarme). Seria mau humor? Mas nem pensar, os dias de mau humor por ano contam-se nos dedos de uma mão, deve ser mesmo um pequeno deslocamento talvez devido a um ataque de tosse que tenho com frequência…

Umas gotas depois e uma análise cuidada veio a revelar que não houve qualquer desvio e muito menos tinha uma situação que exigisse intervenção cirúrgica (o que é bom). Veredicto provável, condensação de material no dito humor. Bem sei que a bruxa de Coimbra dá cabo dos nervos a qualquer pessoa mas nem ela consegue afectar a minha boa disposição pelo que só pode ter sido mesmo o frio a condensar as partículas dentro do olho eheh. Agora é habituar-me á ideia e pronto…

Já disse que existem 1500 espécies de moscas da fruta? E se alguém estiver interessado em criar moscas da fruta para alimentar as suas plantas carnívoras aqui deixo um link para uma página que encontrei...

criação

domingo, janeiro 18, 2009

The Ice Bar



Quando tudo o que precisamos é de uma desculpa não precisamos ser muito inventivos, o cérebro faz todo o trabalho.

Desta vez a desculpa foi visitar o bar do gelo de Viseu, o único no nosso país. O fim de semana foi do melhor que se pode ter, com muitas peripécias pelo caminho e mostrou que o mais importante é o espírito pois quando a alma é grande consegue-se superar todas as adversidades.

Mas não é disso que quero falar mas sim do bar do gelo.

O bar do gelo é um conceito importado da Suécia, onde na região mais a norte foi construído um hotel todo em gelo, paredes, quartos, tudo é feito em gelo e assinado por designers de renome. Parte integrante do hotel existe um bar também ele todo feito em gelo como imaginam, a marca de vodka absolut pegou na ideia e desatou a inaugurar bares do gelo pelo mundo fora existindo actualmente bares do gelo na Finlândia em Londres e Tóquio. Já disse que há um em Estocolmo?

O ice bar de Viseu tem algumas diferenças pois pertence à cadeia minus five e não tem nada a ver com a absolut, o que para mim que não bebo bebidas alcoólicas é totalmente irrelevante.

A entrada são 13 euros com direito a uma bebida, (o meu compal de manga mais caro de sempre), mas o estrago dificilmente fica por aqui pois cada bebida extra são mais 6 euros. Em Estocolmo a entrada são 20 euros mais ou menos. As semelhanças com os ice bar são muitas, é nos dado um casacão à entrada e eis-nos rodeados de gelo, balcão sofás candeeiros, numa luminosidade azulada que nos transporta para outras paisagens. Em Viseu o bar estava às moscas, só lá estávamos nós, o que não nos impediu de fazer a festa toda, só tive mesmo vergonha de partir os copos como fiz na Suécia.

Sim, convém dizer que este não foi o meu primeiro ice bar, já este verão estive no ice bar de Estocolmo. Devo dizer que os casacos cá em Portugal eram melhores e a temperatura até era mais baixa, mas em Estocolmo estava mais gente o ambiente era mais divertido e deixaram-me partir os copos. A minha opinião também pode estar viciada pois Estocolmo dá 100 mil a zero a Viseu pelo que a comparação tem muito que se lhe diga.

E com este paragrafo está dado o mote para os próximos post´s, já era mais que altura de falar sobre as minhas férias passadas com a malta amiga na deslumbrante cidade de Estocolmo.

Na verdade eu sou um procrastinador e fui deixando esse assunto para trás, mas me aguardem…


A foto acima é do ice bar de Estocolmo, de referir que lá também existem emplastros…

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Emultas




EMEL é o fantasioso acrónimo para empresa municipal de estacionamento de Lisboa. Digo fantasioso porque na realidade deveria chamar-se empresa de multas de estacionamento de Lisboa.

O leitor certamente pensa que já entendeu tudo, é apenas um desabafo de alguém que percorria as ruas de Lisboa já a pensar em perder-se nos braços do seu amor e que, qual balde de água fria, encontrou o seu veículo com um ovo estrelado agarrado a uma roda.

Mas não, é verdade que já fui multado, 5 euros por 15 minutos de paragem, que nem paguei, eheheh. Mas não é disso que trata o post. Quiseram os afazeres profissionais que tivesse um encontro com a dita EMEL, tudo por causa de umas sondagens, era preciso arranjar espaço para a máquina e para o camião de 12 metros que a transporta, e a impedir tais manobras encontra-se uma ruela apertada e cheia de lugares de estacionamento, da tal EMEL. Se a empresa se comportasse como o seu nome indica, tratava de tudo, reservava os lugares, controlava o acesso e punha os seu homenzinhos verdes a tratar de tudo. Mas não, a empresa só precisa de uma licença da câmara e depois deixa que usemos o seu espaço. “Deixa”, e pronto, acaba a função da EMEL, contactar a câmara e a policia cabe a outros. A câmara é precisa para as licenças e é preciso policia para retirar os carros porque a EMEL não pode fazer isso, sim o seu pessoal só serve mesmo para multar. Assim é fácil.

Todos nós, com certeza já desabafamos “esta gente só serve para multar”. Neste caso, é bem verdade…

terça-feira, janeiro 13, 2009

Os culpados






A primeira vez que vi nevar foi no insuspeito lugarejo de Casais Novos, Poderia ter sido na serra da Estrela onde todos os anos neva, ou na Serra de Montejunto, que se apresenta como o maior afloramento rochoso nas imediações, mas não, os primeiros flocos de neve que vi cair foi mesmo no local, que durante a quase totalidade da minha vida, foi lugar de pouso para as minhas cansadas asas.

Uma conjunção meteorológica especial, que não acontecia há uns 45 anos, diziam os mais velhos, efeitos dos maus tratos que infligimos à mãe natureza, diziam os mais novos… não sei o que fez com que nevasse em Lisboa e arredores, sei sim que se é raro nevar em Lisboa já em Bragança e arredores não. Este ano não foi excepção e devido a uma frente de frio polar o tempo está bastante fresquinho, vamos pôr assim…
Ora, penso eu, se é costume nevar em Bragança e arredores porque é que todos os anos continuam a ficar estradas cortadas e povoações isoladas? Falta de meios? Um limpa neves é assim tão complicado de arranjar? Falta de sal? Temos uma mina! Com reservas para centenas de anos…

Eu percebo que o acesso à torre fique por vezes intransitável pois ai neva a sério, mas numa capital de distrito? Cidades como Viseu ou vila real não podem ter acesso cortados! Se nevasse um metro e meio de neve ainda entendia, mas assim não entendo como isto pôde acontecer.

Mas isso sou eu que sou burro, houve alguém mais inteligente que se chegou à frente. “ a culpa é da neve”.

É o quê?

A fantástica afirmação pertence a um alto responsável da protecção civil. Confesso que não percebi o nome, pois após tal barbaridade não fui capaz de prestar mais atenção. Então, seguindo a mesma linha de raciocínio a culpa das cheias é da água, ou quando temos hectares e hectares e mancha florestal queimada a culpa é do fogo!!


A culpa como diz variações, é da vontade…

domingo, janeiro 11, 2009

novas resoluções II

Chega de sabática, vamos lá voltar a escrever e com força, aproveitando o rasgar do calendário vamos encarar 2009 de frente e sem medos.

novas resoluções para 2009:

Guiar mais devagar (por favor)
Por sempre verdura no prato
Fazer mais desporto
Limpar a casa uma vez por semana...

Um bom ano para todos.

segunda-feira, novembro 24, 2008

O silêncio





Se não falar rebento….

Aljustrel e as suas minas andam nas bocas do mundo, Aljustrel ou as minas… são demasiado coladas para poder distinguir onde acaba uma ou começa a outra.

É a crise é a crise, a mina vai fechar, é a crise dizem eles… ainda há pouco tempo o nosso engenheiro inaugurava com pompa e circunstancia o começo, o recomeço da produção de metal,… e agora volvidos apenas 6 meses tudo acabou, surpresa? Só para quem não trabalhou lá…

E que posso eu dizer… Faria a 2 de Janeiro 2 anos, 2 anos de constantes descidas ás profundezas da terra, 2 anos a enfrentar a morte, os perigos, um misto de coragem e loucura em doses difíceis de definir. 12 Horas por dia ou noite, melhorando as galerias, as infra-estruturas a ventilação a bombagem, centenas de galerias, e rampas feitas de carrinha ou a pé, ou de plataforma… em escadas apertadas onde a claustrofobia era levada a um novo nível, por galerias minúsculas, alagadas por águas ácidas, galerias da década de 50 com tectos e hasteais a cair tudo para recolher minerais de halotriquite. Lembro-me de um dia em particular, subi à superfície era uma da manhã, infinitas horas a 400 metros de profundidade, com água pela cintura a tentar minimizar uma inundação… nessa Altura, acreditava-se…

E tudo isto para quê?

Hoje via uma reportagem com o antigo chefe da mina, em que não compreendia (ele) como passados 13 anos os resultados ainda tinham sido piores do que na sua altura, apesar de nessa época altura já se ter avançado na resolução de muitos problemas e com muito menos tecnologia.

Eu sei porquê!

É importante o conhecimento da história para que não se repitam os erros do passado e um dos problemas deste projecto foi o fazer tábua rasa de tudo o que se tinha aprendido. Isto acontece quando as pessoas são particularmente casmurras… Ao invés de se aprender com a voz da experiencia imperou, o eu quero posso e mando, e se não gostas vais para a rua.

Não adianta muito estar aqui a lavar roupa suja, mas a verdade é que a velha máquina wolff era de facto velha, as telas novas eram boas para lagares de azeite e não para pirite, e a lavaria que tinha sido arrasada para ressuscitar nova e lavadinha estava pior que nunca. Em boa verdade quando o nosso amigo primeiro descerrou a placa, a mina já tinha imensos problemas e era inevitável que fechasse, com ou sem crise, já estava a morrer e todos nós o sabíamos só não queríamos enfrentar a realidade…

Mas o acordar do sonho sempre vem, a realidade sempre nós atinge como um raio por mais que tentemos assobiar para o lado…

Apesar de estar a viver o problema à distância, não deixo de sofrer pelas pessoas que conheci e que a meu lado tudo fizeram para que isto não acontecesse. Quando deixei a mina, não me despedi de minguem porque não o consegui fazer, estava demasiado irritado e emocionado. Queria agradecer a muita gente, com quem aprendi muito, mas por outro lado apetecia-me mandar uma serie de gente para a cadeia e o que mais me chateia é esta gente, que não merece o ar que respira, são quem se vai safar melhor, pois os outros, os que deram o que podiam e não podiam vêm-se agora abraços com casa e carro para pagar e filhos para criar num sitio onde não há empregos, onde sem mina são apenas casas num monte alentejano…. “Salvei-me” a tempo, mas isso não me alegra particularmente.

A parte que mais gostava na mina era a galeria do piso 265, apertada, pouco alta, 2,5m de altura, tinha sulfatos a por todo o lado e estalactites verdes e azuis, era calma, ninguém passava por lá, estava sempre em silencio, um silencio absoluto, uma calma infinita….

São 1:30 da manhã, este silêncio deve agora ecoar por todas as galerias… um silêncio de calma é agora um silêncio sepulcral. Quando tempo passará até que uma toro desça rampa abaixo?

sexta-feira, novembro 21, 2008

Simulacro sísmico

vai haver dezenas a queixarem-se... os habituais velhos do restelo tão bem conhecidos aqui nas nossas praias.... depois um dia há um sismo a sério e todos se vão queixar que as nossas forças não estão preparadas...


viva a entropia

sábado, novembro 15, 2008

sem titulo

triste..... pelos outros..... por quem, com quem aprendi, sofri, brinquei, trabalhei...

por quem gosto...

sofrer à distancia....


...

segunda-feira, outubro 13, 2008

Eleições parte II




As eleições americanas parecem um pouco confusas para o resto do mundo, para os habitantes dos países europeus porque o mais votado nem sempre ganha, e para a habitantes dos países africanos porque não existem tropas armadas para ajudar os eleitores a escolherem…

Não me querendo armar aos cucos, eu até percebo como tudo funciona. Não me vou por aqui a explicar porque é longo. Queria apenas lembrar que não existem apenas 2 candidatos, existem outros mas que como vêm de partidos menores não usufruem da mesma visibilidade, como por exemplo jonathon sharkey, o candidato do partido dos vampiros, que nas palavras do próprio, marca a diferença dos outros candidatos porque não mostra só o seu lado bom!!!.

Palmas…. Um pouco de honestidade….. não vai longe, este bebedor de sangue…

Mas no fundo tudo se resume a 2, um do partido representado por um elefante e outro um cavalo.

Estas eleições são um pouco diferentes das anteriores pelos candidatos escolhidos, um é uma múmia e o outro é preto.

Barack Obama foi sempre o meu favorito para a corrida, por ser diferente dos outros candidatos, não por ter ficado mais tempo ao sol mas porque aquilo que prega é diferente, a sua forma de falar, a inteligência das suas respostas…

Fiquei contente por ter ganho a corrida à Hilary, não por esta ser mulher, mas porque considero que seria má presidente, baseia tudo o que é na fama do marido e pior que isso transpira muita falsidade por todo o lado.

Felizmente Obama conseguiu a vantagem para ser candidato. Olhando para a múmia do partido do elefante, aos olhos europeus, a vitoria parece no papo e o tipo até vai à frente.

Aos olhos europeus…… e aqui é que está o busílis….. lia outro dia no expresso uma crónica em que se falava da possibilidade das sondagens não reflectirem a real vontade de voto, pois pelo telefone é fácil dizer que se vota no preto, na mulher ou no homossexual, mas perante o boletim de voto, todos os seus estúpidos preconceitos viriam ao cima e os votos acabariam por cair no não preto… mesmo que o outro fosse uma múmia….

E meus amigos, a questão mumificante é que atrás do presidente vem sempre o seu vice, e se macain for escolhido há sempre a possibilidade de não levar o seu mandato até ao fim, o que nos deixaria entregues à sara palin…. E ….

É melhor não falar sobre isso…..

Eleições parte 1

É já em Novembro que a América escolhe o seu presidente, que é como quem diz o chefe do mundo ocidental, ou quase…

Desde a primeira eleição de bill Clinton que sigo sempre com atenção o desenrolar da campanha e as eleições particularmente ditas, por gostar de eleições pelo espectáculo em si e pela importância das mesmas.

O espectáculo é do melhor que consegue por esse mundo fora ou não estivéssemos nós na terra do espectáculo, uma campanha eleitoral que se prolonga por quase um ano, debates intensos e muita lavagem de roupa suja à mistura. Muitas sondagens e gráficos bonitos…

Mas o espectáculo é apenas a cabeça do fósforo, o que realmente interessa é a influencia que os estados unidos exercem no mundo, de tal forma que a eleição do seu líder se reveste de uma importância maior que o nosso Sócrates…

Bill Clinton foi o melhor presidente que os estados unidos tiveram nos últimos tempos, tempos que me lembre. Mas bill Clinton tinha um problema de saias e acabou meio na desgraça atacado pelos arautos da verdade e dos bons costumes, esses mesmo que depois fizeram todas as tropelias possíveis e imaginárias, mentindo sobre tudo, sempre que lhes era conveniente.

Eu gostava do bill Clinton, mas por melhor que fosse haveria sempre de sair, o mal foi quem entrou…. Um tal de W. estou ansioso para ver o novo filme de Oliver Stone….

O George W teve o condão de nos mostrar 2 coisas:

Uma má escolha pode influenciar a nossa vida e a dos outros profundamente (quando o elegeram a primeira vez)

Que grande parte dos americanos são efectivamente muito burros (quando o elegeram a segunda vez).

Que a eleição é importante todos nós interiorizamos, os últimos dias acabaram por alertar os mais distraídos para isso mesmo. Mas o que me preocupa é que quando nos falta o pão à mesa acabamos por não tomar as melhores decisões….

quinta-feira, outubro 02, 2008

Ancorados





Patella vulgata de seu nome científico, é um petisco nos açores, grelhadas com molho de manteiga, sal e limão… deve ser de chorar por mais. Como eu nunca fui ás ilhas não sei se é bom ou não mas que promete, lá isso promete.


Apesar de nunca ter provado lapas conheço-as desde pequenino quando fazia um ar de dor sempre que andava por entre as rochas com os pés descalços, isto porque as lapas têm o hábito de se agarrar ás rochas, é inclusive preciso alguma perícia com o (canivete)* para as retirar do seu sossego, ao mínimo toque ou pressão a lapa agarra-se à rocha e depois nada feito, não sai do seu aconchego nem por nada deste mundo.


Ou não fossemos nós animais, temos uma natural tendência para imitar certos e determinados comportamentos do mundo animal, e por vezes somos autênticas lapas, não queremos sair do nosso aconchego, do nosso conforto.


O ser humano é um pouco avesso à mudança!


Acho que é o medo do que não se conhece, o conforto de jogar pelo seguro, o não arriscar, o receio de se ir para pior….


Sinto… sinto dentro de mim alguns genes de lapa, pronto… se calhar isso faz de mim saboroso, grelhado com molho de manteiga, mas o que se trata é de estar no sofá. Mas agora que apareceu um canivete, se calhar está á na altura de mudar de lapa para ribatejano e encarar o touro pelos cornos.

Como diz james Hetfield na música bleeding me “I'm digging my way to something better…”



* não confundir com o canivete bivalve que também se encontra nas nossas costas.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Até no cinema

Claro que ser português não tem só desvantagens, somos um povo muito dado à confraternização e geralmente damo-nos todos bem com toda a gente. Esta simpatia deve ter começado com os descobrimentos, quando os marinheiros ali das beiras amararam nas praias de salvador da baia e travaram logo amizade com umas índias que passavam por perto. Talvez por esta facilidade que temos em nos misturar com outras culturas seja costume dizer-se que existe um português em toda a parte do mundo, e para prová-lo entre muito exemplos existe a sétima arte.

Eu passo a explicar, uma das manias que apanhei recentemente, quando vou ao cinema, é ver os genéricos até ao fim e procurar atentamente por um nome português, até hoje nunca falhou podem ser muitos ou poucos, ás vezes apenas um, mas lá aparece sempre um António ou um Pedro ou uma Maria para marcar a presença lusa. Com o ultimo filme do batman já estava a desesperar, mas mesmo no fim lá apareceu uma Ana Mestre para fazer as honras do convento

quarta-feira, setembro 10, 2008

A vergonha nacional



Antigamente as tribos que queriam provar-se mais fortes que as outras geralmente resolviam a questão invadindo e matando uns quantos, hoje em dia, que já vai havendo um maior respeito pela vida humana, opta-se por outro tipo de confronto. De certa forma as competições desportivas são uma forma bem mais saudável de mostrar a superioridade da tribo.

Ora, a nossa tribo, escolheu os nosso representantes e foram para a guerra e os resultados foram o que se esperava pois se os corpos são fortes já a cabeça não vale nada, como se diz aqui "tem umas mãos de ouro, mas a cabeça é serradura". As derrotas foram -se acumulando e com elas as habituais desculpas lusas, desculpas que não resisto em citar

Marco Gonçalves (badminton): "Não me consegui adaptar ao lado do pavilhão onde joguei, havia um pouco de vento".

Telma Monteiro e Companhia (judo): árbitros

Arnaldo Abrantes (200m): "Entrar neste estádio cheio bloqueou-me".

Vânia Silva (martelo): "Não sou muito dada a este tipo de competições"

Mas de todas a que mais repudio é a de Jessica Augusto “Agora vou de férias. Treinei para os 3000 obstáculos. Não vou aos 5000 metros. As africanas são fortes. Não vale a pena lutar contra elas. Elas correm para 14m11s e eu para 15m22s. Por isso..”.porque demonstra um total desrespeito pelo desporto, pelo espírito de cubertain e pelo dinheiro dos contribuintes. Até existe uma medalha, a Medalha Pierre de Coubertin concedida a atletas que valorizam a competição olímpica mais do que a vitória, mas esta senhora encontra-se nos antípodas daquilo que são uns jogos olímpicos, assim, mais valia de facto ter ficado em casa.

O problema, é no entanto mais profundo, um par de meses antes a nossa querida selecção foi afastada do mundial de futebol, apesar de ter bons jogadores tal era concebível pois os outros também jogam bem. Perder é aceitável, depende é a forma como se perde, e Portugal perdeu muito mal. Perdeu porque a grande maioria dos nossos jogadores estavam mais preocupados com os seus contratos do que com a competição e nem o treinador escapou. Ronaldo queria Madrid e o treinador achava bem pois ja tinha contrato com o chelsea e com Ronaldo longe o seu trabalho ficaria mais fácil, deco quer se ir embora e joga bem para arranjar contrato, o conterrâneo deixa-o sair do estágio para resolver a sua vida, pois claro, era para vir par o seu futuro clube!!, depois de tudo resolvido, podiam perder...salvou-se o pepe que é brasileiro!!!!!

Então questiono-me, ser português é isto? O meu pai critica muito os políticos, diz ele que os nossos governantes são os responsáveis pela rebaldaria que vai imperando por aqui, sem os querer desculpabilizar, eles também são portugueses, eles são feitos da mesma massa que o portuga ali do lado, o que me leva a suspeitar, até pela historia portuguesa que nada vai mudar pois o sitio onde vamos buscar os políticos é o mesmo. Será possível criar um padrão para os nossos atletas?

Boas qualidades físicas conhecedores da competição mas fracos na cabeça e sem capacidade de luta, preocupam-se primeiro consigo e depois com o colega ou com a tarefa em mãos, e quando perdem têm logo uma desculpa por mais inverosímil que seja desde que os desculpabilize.

È isto ser-se português?

quinta-feira, julho 24, 2008

SOS




O SO2 ou dióxido de enxofre é um gás altamente tóxico que pode ser formado através da combustão de pirite


a formula química é fácil e é como se segue

4 FeS2(s) + 11 O2(g) → 2 Fe2O3(s) + 8 SO2(g)


FeS2 é a formula química da pirite, a pirite, ao ser queimada ou no caso da mina rebentada com o uso de explosivos liberta SO2.

O fenómeno tb chamado de explosão de pirite, no qual se chega a atingir os 1000 graus!, é controlado por vários factores como a temperatura da explosão ou a presença de pó de pirite na frente da explosão. O diâmetro das particulas tb é importante.

A minha primeira experiência com o SO2 foi no mínimo de despliscencia, senti o gás que toda a gente diz saber a doce (treta), e pensei para os meus botões, oh que chatice, enxofre... e continuei a trabalhar como se nada fosse. no dia seguinte voltei a sentir aquele cheiro metálico do SO2 e como no dia anterior agi como se nada fosse. o pior foi quando me sentei
para almoçar, já tinha a cabeça á roda e assim que vi a comida comecei com vómitos e o dia ficou por ai, passei o fim de semana com diarreia e garganta arranhada e pior que tudo... sem apetite.

Depois de casa roubada trancas à porta, e depois deste episódio passei a ter muito mais cuidado para além de me fazer acompanhar de um detector de SO2.

noutro dia voltou a ocorrer explosão de pirite, peguei no meu fiel detector colei-o no espelho retrovisor e enfiei-me galeria adrentro. Apesar da nuvem de fumo ser claramente visivel não resisti a entrar dentro dela, o detetor disparou, 97 ppm e depois deixou de ler, eram 150? 200? quem sabe. O que eu sei é que 5 ppm é nocivo para a saude, não devemos estar expostos
mais do que 15 minutos a esta concentração, 400 ppm mata instantaneamente, e 150 ou 200? serão precisos quantos segundos? 2, 3? foi enfrentar a morte, foi como estar num precepicio e ter a escolha de dar um paço em frente, ou não. Ali, tudo o que seria preciso sera abrir o vidro...
Às vezes vejo-me em cada situação na mina que penso, se calhar o melhor era ter ido para bibliotecário....

NOT

quinta-feira, julho 03, 2008

Bike tour 2


Já com um dorsal a condizer partimos rapidamente para a gare do oriente, local de recolha dos participantes em autocarros da carris, que nos iriam despejar na ponte, local da partida. Os Autocarros deveriam partir entre as 8 e meia e a 9 e meia, mas para sermos os primeiros a partir e a chegar (na prova) eram 7 e pouco quando saímos de casa. Eram 7 e meia e já estávamos na bicha e a ter comportamentos nada suecos reclamando o tempo de espera e criticando tudo e todos. Fomos no 4º autocarro, entre chegar agarrar a bicicleta que tínhamos direito, (uma verdinha, muito fixe), eram umas 9 horas e estávamos preparadíssimos para começar. Ai esperámos, esperámos e esperamos. Pelas 10 horas lá ouvimos o speaker da prova a anunciar todo contente que apenas faltava hora e meia para começar a prova!!! Caiu-me tudo, dei por mim sentado no alcatrão da Vasco da gama a torrar ao sol pois esqueci o protector solar, cheio de fome, porque esqueci de tomar o pequeno-almoço. Oh sorte marreca… não percebia como tudo isto podia acontecer, se os autocarros acabavam de partir pelas 9:30 como é que a prova só começava pelas 11 e meia? Depois percebi, a culpa era dos VIPs que ainda iam tomar pequeno almoço e vinham só mais tarde, nada de madrugar como o resto do povo… oh raiva

Felizmente toda esta gosma se desvaneceu quando comecei a correr, não havia praticamente vento nenhum e o rio estava calmíssimo, a paisagem era deslumbrante e o passeio acabou por ser curto, eu tinha algumas duvidas de como me iria portar visto já não pegar numa bicicleta faz anos, mas correu muito bem, acabei por ser dos primeiros a chegar e não fosse a bicicleta atraiçoar-me e chegaria ainda melhor. È que o banco insistia em descer e fiz metade da prova como se de um triciclo se tratasse.

Resta sim, falar da bicicleta, para o que custou não está nada mal, claro que não é perfeita, as mudanças não entram muito bem, mas é bem melhor que a minha made in continente e já com uma década em cima.

A experiencia é para repetir, mas para o ano chego mais tarde, já não me enganam mais …

lisboa bike tour parte 1

Realizou-se dia 22 de Junho mais um bike tour Lisboa, que teve a grande particularidade de me ter como participante… o que esteve para não acontecer. A prova consiste em atravessar a ponte Vasco da Gama de bicicleta desde a margem sul até ao pavilhão de Portugal numa extensão de 13 km´s. Parece complicado mas a maior dificuldade é mesmo conseguir inscrever-se na prova. Isto porque o número de participantes está limitado a 10000 pessoas, o que resulta no esgotamento dos lugares enquanto o diabo esfrega o olho. Este ano não foi excepção e quando a publicidade ao evento saiu na tv já não havia lugares. Ora, face a esta conjectura está claro que eu não me inscrevi e não iria participar não fosse a marina ter-me convidado para participar usando para tal a inscrição da irmã.

Claro que pelo meio houve um perónio partido com arrancamento de ligamentos pelo que a prova ia ser mesmo feita por mim e pelo João.

Até aqui tudo bem, como dizem os lemas destes eventos desportivos, venha correr por uma causa, ou mexa-se pela sua saúde etc etc. Mas ao ler o regulamento da prova verificamos que tal não era possível, a inscrição era pessoal e intransmissível e só era dada bicicleta a quem participasse na prova e no caso de falta o dinheiro nunca era restituído. Numa primeira análise ainda se equacionou que participássemos como se fossemos nós as pessoas inscritas, mas diga-se de passagem que não dava muito jeito eu participar com um dorsal a dizer Sandra Oliveira.

Ao ler o regulamento ficamos meio irados com aquilo que estava exposto, porque se o que realmente importa é participar pouco importa se quem participa não é uma Sandra mas um António, e também deveria haver mecanismos para ressarcir os azarados que partem uma perna um dia antes da prova iniciar.

Armados de todo o tipo de argumentos dirigimo-nos ao local de entrega dos dorsais preparados para a guerra….

Logo assim que entrámos fomos desarmados pela simpatia com que fomos recebidos pelo segurança, que inclusive costumam ser os mais obtusos, logo ali, ao observar as muletas foi sugerido que estaríamos ali para trocar a inscrição… e pronto fomos recebidos por um responsável que nos indicou logo um balcão para que fosse efectuada a troca, fomos bem atendidos, foi rápido e ainda houve uma t-shirt a mais para a pobre inválida que não poderia atravessar o Tejo.

Apesar de contentes não deixamos de nos sentir um pouco envergonhados com o tudo o que estávamos a pensar, talvez porque a maior parte das vezes não somos bem atendidos ou quem tem o poder de alterar as coisas muita das vezes demonstra muita pouca flexibilidade para aquilo que foge um pouco à “normalidade” enfim, ponto para eles.

 
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