segunda-feira, fevereiro 12, 2007

A parte de baixo

Isto de trabalhar numa mina tem destas coisas. Nesta semana presenciei 2 coisas inéditas e que muito pouca gente já viu, sentiu.

Quase toda a gente sabe o que é uma sondagem geológica (e não aquelas que servem para influenciar as opiniões dos outros), mas já agora eu dei-me ao trabalho de procurar a definição exacta para sondagem que é a seguinte:

Sondagem tem a sua raiz etimológica na palavra francesa sondage. Esta surgiu provavelmente no século XIV com o intuito de expressar o acto de, com recurso a uma sonda, investigar a profundidade da água e a natureza do fundo de um rio ou de um mar.

As sondagens são também feitas em terra, alias, são mais frequentes em terra do que no mar, podem ser feitas de maneira a recuperar amostras de rocha ou com ferramentas destrutivas “quando apenas se pretende fazer um buraco”*

Mas isto vem a propósito do quê? Bom, aqui na mina foram feitas duas sondagens para facilitar o abastecimento da mina com gasóleo e betão projectado. O que é extraordinário nesta história é que eu estava na galeria onde a sondagem saiu e assim pude ver a parte de baixo de uma sondagem, e isto é algo que pouca gente se pode gabar. Só foi pena não ter presenciado o momento exacto em que o tricone apareceu no tecto, mas se calhar foi melhor assim porque pela quantidade de material que se destacou do tecto se calhar tinha ficado lá debaixo.

Mas hoje aconteceu outro fenómeno na mina, estava eu embrenhado no meu trabalho a 350 metros da superfície quando ouço um enorme estrondo. Um rebentamento? A estas horas? E com a mina cheia de gente? Não pode ser… mas que parecia um rebentamento parecia, não dei mais importância á coisa e só quando cheguei á superfície é que soube, tinha havido um sismo no banco de gorringe…

Diga-se de passagem que é muito bom que haja estes sismos de vez em quando, principalmente no banco de gorringe, pois assim existe uma libertação de energia mais faseada e não abrupta e que geralmente resulta numa catástrofe. Basta recordar que da ultima vez que tal aconteceu foi em 1755..

E pronto, mais uma experiência inovadora depois da parte de baixo da sondagem, eis-me a testemunhar um sismo 350 metros debaixo da terra…


* linguagem corrente

sábado, janeiro 27, 2007

Ponto de situação


Faz quase um mes que não escrevo aqui, o problema não é falta de ideias mas antes falta de tempo. Eu costumo dizer que a falta de tempo é a maior desculpa que usamos para as nossas falhas, mas neste caso é mesmo verdade, como agora passo a maior parte da minha semana debaixo da terra, literalmente, e no resto do tempo que sobra não tenho tido net para fazer grandes actualizações não tenho feito muitos post´s mas prometo aumentar a intensidade das postagens nos próximos tempos.

Mas para que conste, neste momento estou a trabalhar em Aljustrel, mais propriamente nas minas de Aljustrel, para mim este emprego é juntar o útil ao agradável, estou rodeado (literalmente) de geologia, gosto do que faço e ainda por cima pagam-me eheh.

Para ja deixo-vos aqui uma foto do meu local de trabalho apenas para aguçar o apetite. A foto mostra estalactites de melanterite, um mineral frequente na mina do moinho e que resulta da oxidação da massa de sulfuretos ali presente. Para uma explicação mais aprofundada podem consultar o site webmineral que tem inclusive um link aqui no blog. A fotografia não é minha mas eu prometo ir pondo mais à medida que as for tirando. O meu maior problema é que ainda não acertei com o método mais apropriado para tirar fotos em túneis, se alguém souber qual a melhor técnica diga que é bem-vindo...

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Músicas fora do baralho





Durante as minhas pesquisas pela Internet acabei por encontrar isto

http://en.wikipedia.org/wiki/
List_of_songs_deemed_inappropriate_by_Clear_Channel_following_the_
September_11%2C_2001_attacks


Basicamente é uma lista de canções que alguém considerou inapropriado passar após o 11 de Setembro de 2001. A lista era apenas uma sugestão e não uma imposição (diz o seu autor), mas nós sabemos como são as coisas na terra do tio sam, a terra da democracia, sim claro…. Democracia.

Imagino que muitas rádios terão cumprido a “sugestão”, mas nesta como noutra situação cabe a cada um de nós ter cuidado nas suas acções pois estas podem ferir a sensibilidade dos outros. Não deve ser nada agradável depois de testemunhar a queda das torres ligar o rádio e ouvir musicas como "Learn to Fly" dos Foo Fighters, Click Click Boom dos Saliva ou Crash Into me da Dave Matthews Band mas isso não pode nascer de uma imposição.

Só por curiosidade deixo-vos aqui algumas canções proscritas, algumas percebe-se logo como a canção Boom dos P.O.D. mas já tenho alguma dificuldade em entender o Ob-La-Di, Ob-La-Da dos beatlles! Claro que concordo que esta música esteja numa lista de músicas a não serem tocadas pois se a música é de fugir, mas o que é que tem a ver com o 11 de Setembro?? Ultrapassa-me…

Prémio merecido vai no entanto, sem qualquer margem para dúvida para os Rage Against The Machine, que viram todas as suas canções banidas…

terça-feira, dezembro 19, 2006

And the winner is........ me

Bem, pelos visto sou famoso, claro, se até saio na capa da revista Time.

Este ano, a figura do ano para a revista Time, são todos aqueles que usam a Internet, todos aqueles que de uma forma ou de outra colaboraram para tornar a Internet no mais poderoso meio de comunicação actual. No meu caso, tenho até mais pontos porque tenho um blog!

Para ser franco acho que isto foi uma saída airosa para a dificuldade que eles estavam a encontrar para escolher alguém para figura do ano. Mas até se saíram bem, a escolha é no mínimo original.

O meu primeiro contacto com a Internet foi na faculdade, a principio não liguei muito àquilo, mas com o tempo fui gostando cada vez mais, lazer, prazer, informação, tudo isso ao alcance de um clique. Da pornografia à fórmula para calcular volumes de barris, á mensagem a combinar o cinema, das notícias sobre o caso casa pia ao terramoto de izmit. A Internet é maior que o computador, mudou o mundo e as civilizações que com ela contactam, Eu seria uma pessoa diferente se não tivesse Internet.

Permitam-me uma alegoria. A Internet é um monstro. Um monstro de dimensões imensuráveis e que cresce de forma descontrolada a cada segundo que passa. Belo mas assustador.

Dito assim soa muito mau mas um monstro não é necessariamente algo mau. E porquê? Porque uma característica dos monstros é a dificuldade em serem controlados.

Estamos em plena idade da desinformação, políticos, empresas, lobbys e interesses diversos controlam os média dizem-nos o que pensar, o que gostar, o que comprar, mostram-nos os bons e os maus, fazem todo o trabalho por nós.

Mas a Internet….

A Internet ainda é livre, qualquer um pode ler escrever dizer o que pensa, desde um poema a um grito de fúria. Se é verdade que no mundo internetiano é difícil distinguir o certo do errado, do verdadeiro do falso, do natural do siliconado, também não deixa de ser verdade que a Internet é um espaço de afirmação das mentes livres.

Claro que nem tudo são rosas, está a nascer uma geração de hiper cultos mas que são sozinhos e infelizes, no meio de tanto mundo cibernético sabemos tudo sobre a aldeia dos índios brasileiros, mas apenas hoje pela manha reparamos que temos novos vizinhos, a senhora do 3 esquerdo morreu há 4 dias…

Estar sóbrio é cada vez mais importante!

Não deixa de ser interessante constatar que os séculos vão passando mas todos os progressos que conseguimos continuam a ser movidos pelos mesmos instintos básicos que controlam a humanidade desde o seu início, as necessidades de segurança, sexo, alimentação ou no caso especifico da Internet da necessidade de comunicar.

As árvores morrem de pé

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Deixem começar por apresentar-me como deve ser, Eu sou uma oliveira, tenho 6 metros de altura troncos frondosos e carregados de azeitonas e “apenas” 103 anos, embora não faça muito sentido para uma árvore contar os anos. Eu vivo num grande quintal com várias amigas minhas, também elas oliveiras, estou aqui com elas desde que me lembro. Tudo começou há umas décadas atrás quando fomos todas plantadas aqui por um senhor muito simpático. Ele cuidou sempre bem de nós, regando-nos, podando-nos e curando-nos sempre que era necessário de modo que hoje sou uma arvore adulta grande e orgulhosa nas minhas azeitonas.

A minha relação com os animais sempre foi pacífica desde as ovelhas que se vêm aqui para se roçar na minha casca até aos pássaros que me escolhem para fazer o seu ninho.

Já com o ser humano nem todos merecem o meu respeito, o senhor simpático que me plantou já não aparece faz muitos anos, mas os seus filhos, (presumo eu porque são parecidos) aparecem para tratar de mim, o que já não gosto é daqueles que vêm apanhar as azeitonas. Isto enche-se de gente a bater-me nos meus troncos, acreditem que não tem piada nenhuma, pior mesmo só aqueles imbecis que apenas vem junto de mim para satisfazer as suas necessidades fisiológicas, uns porcos!

Mas de um modo geral gosto de ser árvore a única coisa que não consigo fazer é andar por ai, conhecer outros sítios, mas ir para onde? Se gosto tanto do meu quintal e das minhas amigas que conheço á tantas décadas.

Mas hoje foi um dia diferente, esteve aqui o senhor simpático que trata de mim e outros seres humanos que nunca tinha visto, nunca entendi muito a linguagem dos humanos mas percebi que estavam a falar de mim, falavam de uma conduta de água, estranho, pensei eu, água nunca me faltou, as minhas raízes sempre foram eficientes… Discutiam também dinheiro, o meu tratador queria 160, mas os senhores antipáticos só queriam dar 80. Não percebo estes humanos, sempre á volta com dinheiro, eu nunca me neguei em entregar as minhas azeitonas, só queria que não me batessem tanto.

Isto foi de manha, à tarde antes mesmo do por do sol chegaram uns tipos mal encarados armados de serras e começaram a cortar os meus troncos. As árvores não choram mas se chorassem esta seria uma boa altura para tal, as minhas lágrimas não seriam de dor enquanto me dilaceravam os troncos mas de raiva por ter sido trocada por um punhado de euros. Tantos anos, tantas décadas a oferecer sombras, a entregar os meus frutos e a alimentar famílias e agora por apenas 80 euros jazo aqui no chão em centenas de bocadinhos de madeira…

As árvores morrem de pé…. Mas algumas não.

domingo, novembro 19, 2006

melodias

Já comecei a ouvir músicas de natal. Estou a ficar assustado com o que ainda está para vir já ali ao virar da esquina.

Mas desta vez vou optar por uma abordagem proactiva, aproveitando coisas que roubei de outro blog, decidi combater as músicas de natal com musica a sério!

Se repararem no fim do blog mesmo por baixo da meteorologia aparece agora uma miúda com uns brincos espalhafatosos e agarrada a uma guitarra. Não é mais que um link para uma rádio alternativa que passa indie pop rock. Para ouvirem basta clicarem na rapariga dos brincos e fazerem donwload do ficheiro. Este ficheiro não é mais que uma playlist que irá abrir num programa de média (o meu é o foobar 2000. também podem ouvir no winwamp no itunes ou no meu adorado vlc (que é um programa que abre tudo).

Mais dois comentários, esta rádio, a somafm é alternativa por isso não esperem encontrar alguém que conheçam, aliás, deixem-me dizer que se conhecerem algum dos músicos vocês precisam de internamento! No entanto do que tenho ouvido a rádio é muito boa, se não gostarem paciência, a gerência não se responsabiliza.

Aproveitem para dar uma saltada no sítio deles http://somafm.com/ Se não gostarem de indie/pop/rock sempre podem encontrar um sapato que sirva melhor ao vosso pé!

Vamos lá, abaixo as musicas de natal!!

sábado, novembro 11, 2006

Para Sul a todo o vapor

Este post esteve para não ser escrito…


Quem me conhece sabe que eu não guio depressa, existem cinco razões para tal, muito tempo sem guiar, carro velhinho, as multas, a poupança de gasolina e a prudência que se exige quando existem vidas em jogo.

No entanto houve alturas em que tive de me deslocar mais depressa, e a ultima foi esta sexta, por razões que agora não interessam tive de me deslocar a Aljustrel, estando eu em alter do chão (que também fica no Alentejo) podíamos ser levados a pensar que a viagem seria curta e rápida. Mas não, olhem bem para o mapa de Portugal, o Alentejo engana…

Como vou devagar costumo sair mais cedo para não chegar tarde, pode-se dizer que sou pontual. Contudo o trabalho e a ausência de stress não deixou que me pusesse a caminho mais cedo e a dada altura cheguei á conclusão que iria chegar atrasado.

Foi ai que animado por uma vontade indomável comecei a acelerar como se fosse salvar o pai da forca, completamente possuído, passei 3 vermelhos, fiz 2 ultrapassagens sobre o traço continuo, esse mito que aliás foi pisado inúmeras vezes, andei a 140 em sítios onde não podia dar mais de 70 ia-me despistando algumas vezes em curvas mal medidas, (sim, o Alentejo também tem curvas). Estava tão alucinado que quando olhei para a tabuleta Aljustrel 33 pensei (António, tens de fazer 33km em 10 minutos, achas que consegues? Acho que não, mas vou tentar….) quando cheguei a Ervidel reparei que tinha feito 15km em 10 minutos e não contive uma sonora gargalhada quando fiz as contas à velocidade que teria de ir para fazer 30km em dez minutos eheh. Pensam vocês 150km/h é ir parado. Bom, isso depende da estrada…. E mais não digo…

E isto tudo para quê?

Interessa? Existe algum motivo que justifique uma condução suicida? Dinheiro? Não me ocorre outra pior, a verdade é que cheguei ao destino apenas 5 minutos atrasado mas depois de pensar mais friamente no assunto acho que arrisquei a vida de forma desnecessária.

Contudo, não posso acabar este post sem deixar um voto de louvor para o meu carrito, um corsa série A com 17 anos, trava mal, tem folgas no motor, as portas custam a abrir tem um rolamento estragado, faz barulhos estranhos e se tiver mais de um ocupante já se queixa. Mas nunca, nunca me deixou mal…..

domingo, novembro 05, 2006

Produções horror apresentam

Produções horror apresentam...

A hora mais traumatizante da televisão portuguesa! 18:00 – 19:00

RTP 1 O preço certo
TV 2 A fé dos Homens
SIC Floribela
TVI Morangos com açúcar

TV Cabo volta, estás perdoada...

domingo, outubro 29, 2006

Sobre carris

Faz hoje 150 anos que começaram a circular comboios em Portugal

Eu amo comboios, tenho um fetish por estações de comboio que fotografo sempre que passo numa, adoro o cheiro a carril e o silêncio que fica após a partida de um comboio e que faz (nessa altura) de uma estação de comboio o sítio mais sozinho do mundo. Adoro viajar de comboios mas sou uma péssima companhia de viagem, porque passo todo o tempo colado á janela, qual puto pequeno.

É pena que quem tenha poder não pense como eu, durante anos deu-se cabo das nossas linhas, abandonaram-se estações esqueceram-se povoações, isto revolta-me bastante, parece como ouvi noutro dia, que só existe pais desde a praia até 20km para dentro, o resto é um fardo que infelizmente se tem de suportar

A filosofia da cp é: Não temos passageiros, não é rentável manter a linha fecha-se a linha. Ao invés deviam pensar: Temos poucos passageiros, temos de melhorar as condições de modo a atrair utentes e assim tornar a linha rentável…

Hoje fala-se em TGV, apesar de ser bom para mim e para os meus pares (o TGV é bicho que não gosta de curvas) vai ser mau para o país. Pode ser que não se torne um elefante branco, depende da cor com que for pintado, é caro e vai parar em demasiadas estações, para mim só fazia sentido fazer a ligação a Madrid. Mas como é que se pode falar em TGV quando não se tem todas as capitais de distrito ligadas por comboio, ou com ligações decentes? Tudo isto me soa a ridículo. Mas longe de mim ficar surpreendido, eu já não tenho idade para isso.

Mas pronto, a cp está á altura do pais, bem que podiam vender a estações antigas para hotéis ou outra coisa qualquer, ou fazer ciclo vias nos antigos trajectos, não custava nada, apenas um pouco de vistas mais largas…

Se me pedissem para fazer uma alegoria ao abandono e esquecimento, ao fim da civilização, nada seria melhor do que a imagem abaixo

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segunda-feira, outubro 23, 2006

Mau tempo no canal

No fim de semana passado fui escalar para Montejunto com o pessoal que se exalta por tudo e por nada, e sabem porquê? Porque passam a vida a trepar pelas paredes! Lol….

Piada seca aparte parecia que o fim-de-semana ia ser tudo menos seco. Desde quarta a sábado o sol esteve radioso, mas para domingo previa-se um vendável dos antigos… Que raiva, pensei eu, um sol maravilhoso por estes dias e quando é preciso bom tempo para se escalar… chove… que pouca sorte.

Como sei que é comum haver erros com o tempo corri tudo o que é site de meteorologia para ver se iria mesmo chover, devo ter consultado uns 20 sites. Estava tão obcecado que chegava a consultar o mesmo site varias vezes numa hora só para ver se o ícone mudava de chuva para sol (nebulado também servia), mas nada, todos eram implacáveis, domingo iria chover.

Mas como já dizia um amigo meu, ser metereologista é uma profissão bastante ingrata porque estão sempre a falhar, é uma vergonha, bem sei que o tempo anda doido, mas também há com cada barrete que faz favor. Naturalmente não choveu no domingo, pelos menos não antes das 8 da noite que foi o que bastou para uma excelente dia de escalada.

Começo a pensar que mais acertam os astrólogos que o pessoal do tempo.

No entanto justiça seja feita para o site www.fnmoc.com que é o único site em que a marinha portuguesa se fia, e com razão, foi o único que deu palpites certos.

Agora sempre que quero realmente saber o tempo que vai fazer é lá que irei, não é um site fácil de perceber mas que acerta, acerta.

Entretanto vou manter o link para o weatherunderground por razões estéticas e porque sempre diz as horas do nascer e do ocaso solar. Isso é garantido que acertam, mas também isso já é astronomia!

quarta-feira, setembro 27, 2006

Profissão, desempregado

E pela segunda vez em menos de 1 ano vejo-me novamente sem emprego e muito feliz por isso. cá para mim o que eu gosto mesmo é de estar desempregado.

Informação desnecessária II

Fango é a palavra italiana para lama, mud no inglês.

Ganhei tanta aversão à palavra que estou a pensar deixar de comer frango só porque é parecido.

Grrr

Atropelado pelo traço continuo

Quando andava no secundário havia um jornal que se chamava jornal do incrível, a ideia era noticiar acontecimentos irreais mas (verdadeiros)? O jornal era hilariante, tinha algumas notícias verdadeiramente absurdas. Uma delas nunca esqueci, era a de um homem que tinha sido atropelado pelo traço contínuo! Sim leram bem, o traço contínuo das estradas, tinham até uma fotografia, nela podia ver-se um homem deitado na estrada com a dita marca rodoviária desenhada por cima dele.

Não sei se é para rir ou para chorar, mas esta notícia existiu mesmo.

Vem isto a propósito do quê? Ao viajar pelas estradas italianas pensava para comigo mesmo, esta noticia não seria sequer compreendida pelo italianos, eles nunca pensariam no ridículo da questão, na inverosimilhança de tal acontecer, a única dúvida que um italiano teria ao ler o jornal seria (o que é essa coisa de traço continuo?). É que para os italianos não existem traços contínuos, ou qualquer outro tipo de sinalização rodoviária, sejam passadeiras, sinais vermelhos, estradas com dois sentidos, o que quer que seja, desde que haja carro e gasolina tudo é permitido. Eu mesmo ia sendo atropelado por uma mulher que andava de bicicleta, uma mão no guiador outra no telemóvel e ala que se faz tarde, ela nem me viu…

Os italianos sempre tiveram fama de guiarem mal mas como pude comprovar do proveito também não se livram…

segunda-feira, setembro 25, 2006

O metro de milão

Deixem-me dizer-vos uma coisa sobre o metro de Milão…. É horroroso!!

Para chegar a São Guiliano Milanese tive de apanhar um metro desde a estação de Milão central até á estação de São Donato, a linha amarela, aquela que supostamente até é a melhor, a mais posh…

Já vos disse que o metro de Milão é horroroso?

É enorme, como qualquer metro de qualquer cidade europeia que se preze, Londres, Paris, Madrid. Deve fazer 3 ou 4 vezes o metro de Lisboa.

E como o metro de paris tem as estações todas iguais. Lembro-me de uma discussão que tive há uns tempos atrás acerca deste assunto em que este argumento saltou para a mesa

“ Pois, as nossas estações são todas personalizadas, todas diferentes e bastante bonitas ao contrário dos outros metros, sim, mas com o preço que elas custam fazíamos muito mais túnel e mais estações e estaria muito mais desenvolvido do que está hoje”

Isto pôs me a pensar… é verdade, fazia-se como as escolas do Salazar, todas iguais, poupava-se no arquitecto, no projecto, nos materiais, era só a ganhar. Este argumento convenceu-me.

Depois entrei no metro de Milão…

As estações são todas iguais, impera o cinzento do betão, uma faixa com a cor da linha e com o nome do sítio e ala que para a frente é que é caminho.

Os comboios estão a cair de podre, são cor amarelo vómito e fazem imenso barulho, fazem tanto barulho que é difícil ouvirmo-nos a pensar…

Onde é que está a higiene e segurança no trabalho? Ali é que devia estar e não a chatear o pessoal das obras! Estou certo que se lá fossem encerravam o estamine. A razão porque o metro é tão barulhento é fácil de perceber, o comboio não tem ar condicionado pelo que para a atmosfera ser suportável é necessário levar as janelas abertas. Ok as vias respiratórias agradecem, mas os ouvidos…

Bastaram duas estações para começar a suspirar pelo metro lisboeta… que saudades da estação do parque, da baixa chiado, do campo grande, ou da estação das Olaias, que para mim é a mais bonita de todo o metro.

Podemos não ter o maior metro das redondezas mas temos sem dúvida o mais bonito, posso mesmo dizer que temos de ir até Moscovo para encontrar um metro que rivalize com o nosso.

O metro de Lisboa é uma autêntica obra de arte.

domingo, setembro 24, 2006

Pé no travão

Foi recentemente decidido que a velocidade nas autoestradas vai ser reduzida. A razão apontada pelo governo é que esta é uma medida necessária para reduzir as emissões de CO2 de modo a respeitar o protocolo de quioto.

Até aqui tudo bem o problema é que a redução de velocidade vai se de apenas 2 km/h! Deste modo a velocidade permitida será de apenas 118km/h face aos anteriores 120km/h.

É de perguntar se esta gente regula bem da cabeça! Mas alguém realmente acredita que os condutores irão reduzir a velocidade? Mesmo que conseguissem, sim, porque os actuais velocímetros não têm definição suficiente para distinguir apenas 2 km. Mas isto já para não falar no ridículo da medida.

Aquilo que mais faz falta a qualquer governo, e diga-se de passagem, a muito boa gente, é o bom senso. Eu estou mesmo a ver como isto tudo se passou. O ministério do ambiente foi apertado (epá, não podemos fazer como os américas, já que o assinámos temos mesmo de cumpri-lo, que chatice…) houve então uma cabecinha pensadora que se lembrou que se os carros andassem mais devagar o seu consumo energético seria menor e consequentemente iriam emitir menos gases nocivos.

A partir daqui entrou em cena a regra de três simples, se 1 carro a 120km/h gasta 100% de CO2 então para gastar 98% tem de andar a y velocidade. Chega-se assim ao lapidar valor de 118km/h…

Haja bom senso…

Como Icaro

Fiz finalmente o meu baptismo de voo, num voo da TAP entre Lisboa e Milão, era suposto fazer um post a descrever as imagens maravilhosas que vi, mas não tenho palavras para o fazer, por isso nem vou sequer fazer um esforço.

sábado, setembro 09, 2006

Leaving

Space Oddity, David Bowie


Ground control to major tom
Ground control to major tom
Take your protein pills and put your helmet on

Ground control to major tom
Commencing countdown, engines on
Check ignition and may gods love be with you

Ten, nine, eight, seven, six, five,
Four, three, two, one, liftoff

This is ground control to major tom
Youve really made the grade
And the papers want to know whose shirts you wear
Now its time to leave the capsule if you dare

This is major tom to ground control
Im stepping through the door
And Im floating in a most peculiar way
And the stars look very different today

For here
Am I sitting in a tin can
Far above the world
Planet earth is blue
And theres nothing I can do

Though Im past one hundred thousand miles
Im feeling very still
And I think my spaceship knows which way to go
Tell me wife I love her very much she knows

Ground control to major tom
Your circuits dead, theres something wrong
Can you hear me, major tom?
Can you hear me, major tom?
Can you hear me, major tom?
Can you....

Here am I floating round my tin can
Far above the moon
Planet earth is blue
And theres nothing I can do.


Durante um mês não haverá post´s para ninguém....

Pensamentos soltos acerca do 11 de Setembro

Batista bastos, escritor e apresentador televisivo tinha um programa na 2 há uns tempos atrás em que entrevistava diversas pessoas da sociedade portuguesa. O apresentador era bastante directo e frontal, por vezes a frontalidade era tal que a entrevista mais parecia um interrogatório! A dada altura lá vinha a pergunta da praxe, “Olha lá, onde é que estavas no 25 de Abril?”

A data, importante para quem a viveu acaba por não ter significado para jovens que, como eu, não eram vivos nessa altura. Mas outras datas importantes apareceram, de tal forma que uma pergunta que gosto de fazer é “Olha lá, onde é que estavas no 11 de Setembro?”

Foi um episódio tão marcante que toda a gente se lembra, eu estava na faculdade com uns amigos a organizar uma visita de estudo, lembro-me perfeitamente de chegar ao balcão para marcar o autocarro e não ser atendido por ninguém, farto de esperar entrei pelos serviços a ver se via alguém, e foi nessa altura que me disseram, “um avião chocou com o WTC…”. Na altura não consegui assimilar bem a informação, só mais tarde me apercebi da grandiosidade do que se estava a passar.

Segunda-feira faz 5 anos que os aviões embateram no WTC, como de costume vão desfilar mil e uma imagens da altura do embate, as imagens que impressionaram qualquer um não produzem hoje qualquer efeito depois de terem sido passadas até à exaustão. Todos os anos é a mesma coisa, mas imagino que este ano sendo um número redondo os jornalistas irão exagerar ainda mais, mas a única finalidade será o de satisfazer um voyeurismo mórbido, uma sede por sangue e apetência por tragédias, características bastante reprováveis mas que pelo que me apercebo é bastante frequente no cidadão comum.

Eu costumo dizer que as coisas não são boas ou más por si só, é aquilo que fazemos com elas. O mundo podia ter usado o 11 de Setembro para se regenerar de uma forma positiva e a meu ver não o conseguiu, tornou-se ainda mais perigoso, os extremos extremaram-se ainda mais, os erros sucedem-se e pior que isso são sempre os mesmos. Colocando as coisas assim, o 11 de Setembro foi algo de muito mau.

A grande vitoria do terrorismo é o medo, se deixarmos de fazer a nossa vida normal por causa do medo, antão o terrorismo terá ganho, não podemos deixar que isso aconteça, por isso esta segunda feira vou mesmo andar de avião..

quarta-feira, agosto 23, 2006

Um gelado no fundo da vila

Deixem-me começar por explicar um pouco da geografia de Vila Chã. Vila chã de Alijó (para que não haja confusão com as dezenas de outras vilas chãs de povoam o país) é uma típica aldeia transmontana com aquelas casas em granito com aspecto muito velho mas muito bonitas, ruas em empedrado e flores por todo o lado. O fundo da vila é uma expressão usada pelas gentes da aldeia para se referirem ao sítio onde a aldeia acaba.

É no fundo da vila que se localizam os seus dois únicos cafés, que curiosamente, estão colados um ao lado outro. Muito se podia dizer sobre estes cafés, mas isso são outros quinhentos.

A verdade é que férias sem gelados não são férias e sempre que se podia lá vinham eles, fosse numa bomba de gasolina, junto ao rio, ou num café em vila chã.

Logo veio a piada que ás tantas os gelados seriam do ano passado. E não é que eram mesmo?? E como chegámos a essa conclusão? Como seria de esperar no grupo havia um magnum vision, que ainda tinha o invólucro do ano passado quando fazia publicidade aos magnuns 5 sentidos! Todos nós procuramos pelos respectivos prazos de validade dos nossos gelados e ficámos todos surpreendidos por verificarmos que nenhum tinha. Pensava eu que todos os bens perecíveis eram obrigados a ter prazo!

O gelado estava bom e foi comido com bastante indiferença para com pacote onde vinha embrulhado, mas isso não me chegou e resolvi investigar, agora além de estar atento ás matriculas dos carros também estou atento aos prazos dos gelados, de tal forma que mandei um mail á DECO e outro á OLA, no qual expunha a situação. No mail da olá aproveitei para denunciar o facto de não haver magnus de menta como existe na Austrália!

Como seria de esperar a OLÁ fez ouvidos de mercador e ainda hoje estou á espera de uma resposta (ou não fossem eles mercadores). Da DECO veio um primeiro mail no qual a DECO (defesa do consumidor) afirmava não conseguir verificar a minha condição de sócio!!!!

Bom, pensava eu que a DECO defendia todos os consumidores e não apenas aqueles que lhes pagam cotas, mas pronto…. Após alguns dias em que andei perturbado e um pouco contra vontade, lá lhes enviei o meu número de sócio.

A resposta que passo a transcrever, por ser do interesse de todos em conhecer, foi bem mais interessante.


(…informamos que relativamente aos gelados é obrigatório neles constar o prazo limite de consumo.

No caso de tal não acontecer ou o produto se encontrar em estado impróprio para consumo, mesmo que lhe troquem o produto ou devolvam o preço, deve inscrever a ocorrência no Livro de Reclamações, no caso do estabelecimento em causa estar obrigado a possuí-lo, e enviar uma cópia do duplicado que obrigatoriamente terão de lhe entregar, para a entidade competente constante na informação visível a informar que existe Livro de Reclamações, ou seja, para a,

ASAE – Autoridade de Segurança Alimentar e Económica
Av. Conde Valbom, 98, Apartado 14270
1064-824 Lisboa; Telef.:21 311 98 00
direccao@dgfcqa.min-agricultura.pt

Se o estabelecimento não estiver obrigado a possuir livro de reclamações, deve, do mesmo modo, enviar uma reclamação para a ASAE. Deverá procurar ter testemunhas e provas do ocorrido….)


E pronto, cá espero que a olá me responda e que arranje magnuns de menta (o que é bem capaz de acontecer, mas não por esta ordem).

Mas a propósito de prazos de validade, não resisto em contar isto. No que concerne a prazos de validade não há nada melhor do que as conservas, apesar de terem prazo (porque são obrigadas) são praticamente eternas, só para terem ideia as conservas do titanic ainda estavam boas.

E lanço um concurso, quem descobrir a nacionalidade da empresa que fabrica os gelados da olá ganha… um gelado.

quarta-feira, agosto 09, 2006

O efeito Ana Rute

Ser mulher não é fácil, principalmente no que diz respeito a arranjar emprego. A coisa fica ainda mais preta se o emprego em questão for numa área tipicamente masculina. Pode-se dizer que existe uma selecção nada natural que acaba por impedir que uma mulher arranje um emprego nessas áreas e as arraste para os ditos empregos femininos de administrativa ou outros sem real poder para modificar o rumo seja do que for.

Os nórdicos resolveram o problema há muito tempo implementando cotas. Basicamente exigem que cada empresa, instituto ou afins tenha uma determinada percentagem de mulheres, é a chamada descriminação positiva. Foi uma forma de dar a volta á questão e é certo que resultou, hoje em dia ninguém bate os nórdicos no capitulo da igualdade, (também é certo que ninguém os bate em nada…. Mas pronto).

Eu percebo a medida, até parece justa para repor o equilíbrio, mas não concordo com ela. Porquê?

Primeiro porque não é justo, as pessoas devem subir pela sua competência e apenas por isso.

Depois; porque se por um lado compreendo a frustração de uma mulher a quem perguntam se conhece colegas “gajos” que estejam disponíveis para trabalhar, quando ela está ali desejosa de ocupar esse cargo, tem competência para o fazer mas nem sequer lhe é dada uma chance; por outro também tenho de pensar em mim, eu não gostaria nada que numa entrevista me dissessem, Ah e tal! Você até seria uma das nossas primeiras escolhas para este emprego, mas a lei obriga-nos a colocar uma mulher por isso nada feito. Não seria agradável de ouvir.


Porque é que em pleno século 21 é ainda tão complicado a uma mulher chegar a directora de obra?

A meu ver por 3 motivos

Primeiro porque os portugueses ainda são muito machistas. Eu costumo dizer às minhas amigas que a situação mudou muito em 100 anos e que aos poucos tudo se endireita, mas depois ouvimos opiniões de colegas nossos e ficamos a pensar se realmente estamos no século 21. Além disso, elas não querem que isto se equilibre com o tempo, querem que se equilibre agora… pois….

Depois porque existem algumas mulheres (e não são poucas) para as quais por creme nas mãos é tão ou mais importante como beber água. Este espécimen acaba por estragar um pouco a vida a quem quer de facto trabalhar num emprego decente. São um mau exemplo que mina o caminho para quem quer de facto ser alguém. O pior é que quanto a isto não há nada a fazer.

Depois, porque ao invés do que seria de esperar, as mulheres que conseguiram subir na vida em vez de ajudarem as outras mulheres a entrar no mercado de trabalho ainda lhes dificultam mais a vida. Isto é estranho, ou talvez não, como eu sempre digo, os homens tratam melhor as mulheres do que as mulheres umas ás outras, e se não formos nós a dar-lhes a mão isto não vai lá!

O futuro?

Aquilo que espero é que haja cada vez mais ambientes de trabalho mistos, porque funcionam melhor sobre qualquer parâmetro que quisermos escolher, são mais produtivos, mais alegres e descontraídos. Pela parte que me toca trabalhar só com homens é uma seca terrível!



Este post é dedicado a duas pessoas em particular, a elas eu só posso desejar toda a sorte do mundo e dizer que a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima.
 
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